Lagarde disse ainda que o FMI seguir na aferição dos danos causados pela crise econômica global
Diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde disse, nesta quarta-feira, que o Banco Central Europeu (BCE) deveria afrouxar a política monetária para combater o risco de "inflação baixa" que pode travar a produção e os gastos dos consumidores na zona do euro. Segundo ela, a economia global deve crescer acima de 3% neste e no próximo ano. Ela alertou, no entanto, que a recuperação da crise financeira global continua fraca e que um período de tempo prolongado de crescimento baixo é um risco.
O banco central da Rússia, por sua vez, disse nesta quarta-feira que o crescimento econômico vai cair "muito provavelmente" para abaixo de 1% em 2014 e que também está preocupado sobre uma inflação acima da meta que restringe sua capacidade de cortar as taxas de juros. Apesar da desaceleração econômica, a presidente do BC da Rússia Elvira Nabiullina disse que o Banco Central não planeja cortar sua principal taxa de juros de 7% até no mínimo sua reunião em junho.
A combinação de estagnação do crescimento e inflação alta ressalta o impacto debilitante que as tensões internacionais acerca da Ucrânia estão tendo sobre a fraca saúde econômica russa. Nabiullina disse a uma conferência do setor bancário em Moscou que a previsão anterior de crescimento para 2014 do BC russo, na faixa de 1,5% a 1,8%, agora não deve ser alcançada.
– O mais provável é uma redução na taxa de crescimento para um nível abaixo de 1% – disse ela.
Fôlego
Enquanto isso, nos EUA, as novas encomendas à indústria nos Estados Unidos recuperaram-se mais do que o esperado em fevereiro, com as entregas registrando o maior ganho em sete meses, em novo sinal de que a economia está retomando o fôlego após desaceleração relacionada ao clima. O Departamento do Comércio informou nesta quarta-feira que as novas encomendas de bens manufaturados saltaram 1,6%, maior aumento desde setembro passado.
O dado de janeiro foi revisado para mostrar queda de 1,0%, ante baixa de 0,7% anteriormente informada. Economistas consultados pela agência inglesa de notícias Reuters esperavam alta de 1,2% em fevereiro. As entregas de novos pedidos avançaram 0,9% em fevereiro, maior alta desde julho passado. As encomendas excluindo transportes cresceram 0,7% em fevereiro, também o maior ganho desde julho.
Fraudes
No mercado financeiro, em meio à crise causada por um fraco desempenho econômico global, outro fator que perturba a ordem financeira são as fraudes. O banco de investimento Goldman Sachs, a maior fabricante de cabos do mundo, a Prysmian, a Nexans e oito empresas de cabo foram multadas em um total de 302 milhões de euros (US$ 416 milhões) por reguladores antitruste da União Europeia nesta quarta-feira por operar um cartel.
– As multas não representam, de forma alguma, os danos causados por estas instituições empresariais ao mercado financeiro global. Os prejuízos causados são muito maiores – afirmou um operador da Bolsa de Londres, que optou por se manter no anonimato.
O cartel de cabos de energia funcionou por quase 10 anos a partir de 1999, com as companhias compartilhando mercados e alocando clientes entre eles próprios, disse a autoridade antitruste da UE. A Prysmian recebeu a maior multa, de 104,6 milhões de euros, que incluiu uma multa conjunta de 37,3 milhões de euros com o Goldman Sachs. O banco adquiriu a companhia italiana por meio de um de seus fundos de private equity em 2005, mas já vendeu sua participação.
A Comissão Europeia disse que outros membros do cartel incluindo as empresas japonesas de cabos Exsym Corporation, J-Power Systems Corporation e Viscas Corporation, a sul-coreana LS Cable & System e a General Cable via sua subsidiária Silec.
"Parte deste plano era de alocar importantes projetos de cabos de energia de alta voltagem no Espaço Econômico Europeu, incluindo grandes projetos de infraestrutura e energia renovável como parques eólicos offshore", disse a Comissão, em nota.
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