O Fundo Monetário Internacional (FMI) emitiu, no início da noite desta quarta-feira, que o aumento nas taxas de juros dos EUA deve ser um fato esperado e isso trará consequências sérias para as economias de países emergentes como a do Brasil. A instituição se referiu a "sérios efeitos adversos" em pouco tempo, pois os juros nos EUA estão, hoje, em 1% ao ano. É o menor nível desde 1958.
"Um aumento dos juros norte-americanos aumentará a fragilidade dos emergentes e deve engatilhar um movimento de fuga de capitais", registrou a nota do FMI.
- Vivemos um momento incomum, no qual o setor privado americano hoje poupa mais do que toma emprestado. Com a atual recuperação, isso vai mudar. As empresas vão começar a competir com o setor público por dinheiro, e os juros vão subir. É inevitável -, disse David Robinson, diretor-assistente do Departamento de Pesquisas do FMI.
O relatório "Perspectivas para a Economia Mundial", divulgado nesta quarta-feira pelo FMI aborda o risco que o déficit fiscal recorde de US$ 521 bilhões dos EUA representa para os emergentes.
Os EUA fecharam o ano de 2000 com um superávit fiscal de US$ 236 bilhões. A rápida transformação do indicador em déficit é vista pelo FMI como responsável por boa parte da recuperação mundial. "A tendência, no entanto, precisa ser corrigida para não gerar novos problemas a médio prazo", alerta o Fundo.