Rio de Janeiro, 16 de Abril de 2026

FMI acredita que o tempo dirá se medidas nacionalistas prosperam

Quinta, 04 de Maio de 2006 às 05:48, por: CdB

O impacto econômico dos movimentos nacionalistas de esquerda na região dos Andes, na América do Sul, vai depender de quanto tempo essas políticas anti-mercados vigorarão, disse Anne Krueger, segunda pessoa mais importante na hierarquia do Fundo Monetário Internacional (FMI).

- O impacto nesses países dependerá em grande medida se seus governos retomarão a razão antes ou depois de que se tenha causado muito dano - disse ela.

Krueger, primeira vice-diretora-gerente do FMI, comentou os últimos desdobramentos na região após um discurso em Vancouver para o Frasier Institute, de orientação direitista. O recém-empossado governo de esquerda na Bolívia nacionalizou o setor de energia do país nesta semana em uma medida que alarmou investidores e alguns de seus vizinhos na América do Sul. A decisão, no entanto, foi comemorada pela maioria indígena e pobre do país.

Há expectativa de que a nacionalização boliviana aumente a pressão por medidas similares no Peru e no Equador, mas Krueger minimizou o impacto fora dessa região.

- Não estou certa quão grande será o impacto regional. Brasil, Chile e Uruguai parecem estar seguindo políticas sensatas e razoáveis e parecem estar imunes a qualquer coisa que aconteça nos países andinos - disse.

O Brasil é o maior comprador do gás boliviano e a Petrobras anunciou o cancelamento de seus investimentos no país vizinho. A decisão do presidente boliviano, Evo Morales, vem depois de uma grande intensificação do controle estatal sobre o setor de petróleo na Venezuela, promovida pelo presidente deste país, Hugo Chávez, principal aliado externo de Morales.

- É claro que a Venezuela é diferente porque a razão pela qual pode fazer o que está fazendo é o alto preço do petróleo - disse Krueger.

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