Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Florestas são melhor chance para pacto climático

A finalização do plano de conservação de florestas da Organização das Nações Unidas (ONU) é um passo óbvio e essencial para firmar um novo pacto global de combate à mudança climática, disse um economista do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Pavan Sukhdev diz que negociação sobre o clima deveria abordar pontos de consenso. (Leia Mais)

Quinta, 16 de Julho de 2009 às 10:31, por: CdB

A finalização do plano de conservação de florestas da Organização das Nações Unidas (ONU) é um passo óbvio e essencial para firmar um novo pacto global de combate à mudança climática, disse nesta terça-feira um economista do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

O G8 e outras grandes economias concordaram na semana passada em restringir o aquecimento global para 2 graus Celsius.

Mas eles não conseguiram persuadir a China, o principal emissor do mundo, e a Índia a unirem-se a um movimento para reduzir à metade as emissões de gases-estufa até 2050 - num golpe aos esforços para garantir a aprovação de um tratado sobre o clima que substitua o Protocolo de Kyoto depois que ele expirar, em 2012.

– Deve haver uma inversão completa de prioridades e os países deveriam se ater ao que podem concordar, que é reduzir o desmatamento –, disse Pavan Sukhdev, executivo do Deutsche Bank que está temporariamente no Pnuma.

– Deveríamos estar premiando os países que estão reduzindo o desmatamento e aperfeiçoando suas práticas de conservação; ninguém discorda disso.

A redução das emissões por desmatamento e degradação (REDD), o programa florestal da ONU amparado no mercado, emite créditos de carbono como incentivo financeiro para desestimular o desmatamento pelos proprietários de florestas.

Delegados de quase 200 países vão se reunir para uma conferência climática da ONU em Copenhague em dezembro a fim de formularem um novo pacto.

– Não percebo a negociação principal sobre o clima rendendo histórias que não sejam frustração e mais frustração", disse Sukhdev, acrescentando que 24% das emissões globais de dióxido de carbono e 18% do total das emissões de gases-estufa são provenientes do desmatamento.

– Com o REDD, ele está ali olhando para você, esperando que você faça o óbvio –, afirmou ele.

Programas experimentais do REDD estão sendo executados em países em desenvolvimento como Camboja, Indonésia e Brasil.

A distribuição de receitas de crédito por REDD ainda precisa ser acertada, solucionando-se a questão de quanto dinheiro será investido no replantio de áreas degradadas.

Governos de países que abrigam muitas florestas devem estimular as nações desenvolvidas a comprometer entre US$20 bilhões US$ 30 bilhões por ano a seus projetos REDD, e depois criar um fundo para alocar o dinheiro nos melhores projetos, afirmou Sukhdev.

– Assim mais dinheiro virá do setor privado, mas o problema é dar o início –, acrescentou.

Alguns países já estão avançando na proteção às florestas por meio do REDD, mesmo que detalhes do plano permaneçam incertos.

No ano passado, a Noruega comprometeu US$1 bilhão até 2015 para um fundo de proteção da Floresta Amazônica brasileira. Na última sexta-feira, a Indonésia divulgou as regras para a distribuição de créditos, com 10 a 50% indo para o governo indonésio e 20-70% indo para as comunidades locais, dependendo do tipo de floresta.

– Uma vez comprometido o dinheiro, estabelecido um fundo florestal e criadas regras para a distribuição de lucros, é essencial que se crie um mercado apoiado em limites rigorosos nas emissões nacionais para dirigir a demanda por crédito REDD –, disse Sukhdev.

– O mercado funcionará com limites fortes em um acordo pós-2012 –, acrescentou.

– Os benefícios sociais provenientes das florestas protegidas já chegam a US$4-5 trilhões, o dobro da indústria automobilística mundial e, apesar disso, seu emprego é uma pequena fração da indústria automobilística.

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