A preservação da floresta amazônica pode gerar até US$ 1 bilhão por ano no mercado de créditos de carbono, afirmou o diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), Tasso Azevedo, nesta sexta-feira. O valor seria relativo às emissões de gases evitadas com o não-desmatamento.
- A um preço bem baixo do carbono, isso poderia gerar cerca de US$ 500 milhões por ano, talvez até US$ 1 bilhão, caso existam interessados em investir - calculou.
Para chegar neste número, Azevedo estimou que seria evitado o lançamento na atmosfera de 150 milhões de toneladas de gás carbônico (CO2) por ano, a um valor de US$ 3 a tonelada, que ele disse estar subestimado.
- Na Europa, a tonelada de carbono capturado está entre US$ 10 e US$ 14 - comparou.
Tasso Azevedo explicou que, para viabilizar o processo, é importante a criação de um mecanismo legal permitindo capturar investimentos financeiros do carbono em nível de bioma (a floresta amazônica), gerando recursos para um fundo, administrado por um órgão gestor.
- Será um órgão multilateral, composto pelos estados da Amazônia, o governo federal, setor ambientalista, movimentos sociais e setor empresarial. É possível comprovar o quanto foi reduzido para a Amazônia como um todo, mas não é viável para cada pequeno projeto. Valorizar a floresta em pé é a forma de salvar as florestas - afirmou.
Segundo o diretor do SFB, a proposta nesse sentido ainda está sendo montada e será apresentada na conferência mundial sobre o clima, que acontece em dezembro, na Ilha de Bali, na Indonésia, quando será traçado um novo plano internacional para a redução de emissões de carbono depois de 2012, quando expira o Protocolo de Quioto. Sobre o desmatamento na floresta, Azevedo afirmou que a maior preocupação é a pressão exercida pela pecuária, muito mais do que as lavouras de soja ou o possível avanço da cana-de-açúcar.
- O Brasil tem hoje 200 milhões de hectares de pastagem e 60 milhões de área agrícola. Mas só tem pecuária enquanto as pessoas acharem que a floresta não tem mais valor que a criação de gado, o que torna importante o incentivo de atividades que mantenham a floresta em pé - disse.
Uma das formas que permitem a produção de créditos de carbono com a manutenção da floresta (também chamado de estoque de carbono) é a utilização sustentável da madeira.
- Você tira uma árvore e a transforma em um móvel. O espaço que aquela árvore ocupava na floresta vai ser novamente ocupado por carbono. Ou seja, eu tenho o carbono que voltou para a floresta e mais o do móvel produzido - explicou.
Azevedo participou da Conferência Rio + 15, que buscou analisar os avanços no setor, 15 anos depois do encontro internacional Rio-92. Está aberta, até este sábado,, no site do Serviço Florestal Brasileiro, consulta pública para o manejo sustentável de florestas.