Rio de Janeiro, 11 de Setembro de 2026

Flexibilização nas licitações abre menos brechas do que obras emergenciais

Após a aprovação, na Câmara Federal, do texto base que flexibiliza as licitações para a Copa do Mundo e Olimpíadas, o chamado Regime Diferenciado de Contratações (RDC), surgiram uma série de críticas, endossadas pela oposição, focadas principalmente na abertura de brechas para ilegalidades em torno dos contratos das obras.

Segunda, 20 de Junho de 2011 às 04:31, por: CdB
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Após a aprovação, na Câmara Federal, do texto base que flexibiliza as licitações para a Copa do Mundo e Olimpíadas, o chamado Regime Diferenciado de Contratações (RDC), surgiram uma série de críticas, endossadas pela oposição, focadas principalmente na abertura de brechas para ilegalidades em torno dos contratos das obras. Enquanto a oposição critica, alguns parlamentares da base aliada defendem que a nova regra para licitações irá substituir a utilização do caráter emergencial para as obras. O recurso dispensa, entre outras burocracias, a licitação, além de diminuir as possibilidades de fiscalização. Em entrevista ao portal IG, o deputado e ex-jogador Romário (PSB-RJ) se mostrou à favor do RDC. “Sem a flexibilização, a roubalheira seria muito maior”, disparou. Há quatro anos, o país vivenciou uma experiência semelhante com os jogos Pan-Americanos, no Rio de Janeiro, quando diversas obras públicas foram realizadas em caráter emergencial, portanto sem licitação, colaborando com o estouro de mais de 800% no orçamento, alcançando um total de R$ 3,7 bilhões gastos. O planejamento inicial de desembolso era de R$ 523,84 milhões. De acordo com a Lei nº 8666/93, nos casos de emergência, “quando caracterizada urgência de atendimento de situação”, é dispensável a licitação, contanto que as “obras e serviços possam ser concluídas no prazo máximo de cento e oitenta dias – ou seis meses - consecutivos e ininterruptos.” O deputado federal Ricardo Berzoini (PT-SP) explica que nesse caso é preciso realizar apenas um processo simples, chamado de seleção por trabalho de preços. O deputado ainda alerta que “a licitação é mais complexa pois conta com várias fases, a seleção por trabalho de preços é muito mais simplificada e susceptível a manobras.” Quando perguntado sobre a flexibilização escancarada que as contratações em caráter emergencial provocariam, o líder do PSDB na Câmara, deputado Duarte Nogueira (PSDB-SP), se esquivou e colocou a responsabilidade nas mãos do governo. “Nós sabemos que vai ter Copa do Mundo no Brasil há quatro anos, será que nesse tempo nem os projetos básicos o governo foi capaz de produzir? Se o governo nada fez ou pouco fez, não vamos rasgar as nossas regras”, ressaltou. Mesmo mantendo um posicionamento contrário ao RDC, Nogueira concorda que o atual processo de licitação é um tanto quanto burocrático. No entanto, segundo o parlamentar, “escancarar as porteiras, omitir informações e não colocar filtros de controle, não tem cabimento, discordamos veementemente”, analisou. Caso aprovado, o novo processo de licitação para os eventos esportivos irá atingir, além da 12 cidades-sede, todos os municípios que necessitarem de obras para atender demandas dos jogos, que se localizarem até 350 quilômetros das sedes. A extensão é fruto de uma emenda aprovada às pressas no plenário da Câmara, com apoio de líderes e aval do governo.
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