Rio de Janeiro, 27 de Agosto de 2026

Fiocruz pede ao Inea cópia do laudo da fuligem expelida pela CSA na zona oeste do Rio

Segunda, 03 de Janeiro de 2011 às 12:10, por: CdB

Rio de Janeiro – A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) quer avaliar o laudo com a análise da fuligem expelida pela Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), no entorno da usina, em Santa Cruz, zona oeste do Rio de Janeiro, no fim de dezembro.

De acordo com o pneumologista Hermano de Castro, chefe do ambulatório de Doenças Pulmonares Ambientais e Ocupacionais da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), ligada à Fiocruz, o material pode conter, além de elementos que irritam o aparelho respiratório, como o grafite, outros metais que podem provocar câncer no longo prazo. Ele informou que a Fiocruz enviou ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea) um ofício solicitando as informações.

Técnicos do Inea coletaram amostras das partículas expelidas, mas, segundo a assessoria de imprensa do órgão, ligado à Secretaria Estadual do Ambiente, ainda não há previsão de quando o resultado da análise laboratorial ficará pronto.

“Precisamos ter uma avaliação qualitativa e quantitativa desse material que foi coletado pelos técnicos do Inea. Poeira de siderurgia pode não ser só grafite. A literatura de vazamento de siderurgias revela que, em geral, há uma composição de metais variados, como zinco e cromo, que podem ser mais graves à saúde. Também precisamos avaliar o percentual de fração respirada pela população”, afirmou Castro, em entrevista à Agência Brasil.

Segundo ele, mesmo que a fuligem tenha sido formada apenas por grafite, principalmente crianças e idosos podem ter quadros de asma e bronquite agravados, além de irritações na pele. “Mesmo que seja só grafite, as pessoas não devem respirar grafite, as pessoas não vivem respirando grafite achando que isso é inerte”, acrescentou.

O pneumologista também ressaltou que, além da poeira visível, existem as partículas menores que, dependendo do tamanho, podem chegar aos alvéolos pulmonares e aumentar as chances do desenvolvimento de câncer. “As partículas maiores vão irritar o nariz, a traqueia, a parte mais grossa do brônquio. Mas as menores podem chegar até os alvéolos e, aí, a consequência é pior porque metais desse tamanho podem ser cancerígenos no futuro”, explicou.

A recomendação, segundo Castro, é que haja um acompanhamento da saúde da população exposta às emissões, para verificar a evolução dos quadros de irritação respiratória e cutânea, por exemplo. Ele também defende que, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) e da própria empresa, haja uma busca ativa de casos de comprometimento da saúde em função das emissões, que também devem ser monitorados.

A CSA divulgou hoje (3) uma nota veiculada em diversos jornais reconhecendo “o incômodo gerado” aos vizinhos pelas emissões, mas garantindo que elas não geraram danos à saúde da população.

Segundo a empresa, “laudo de renomado especialista, o médico René Mendes, é taxativo ao afirmar que não existe qualquer relação entre as emissões de grafite verificadas e doenças na população”. A nota afirma, ainda, que o grafite é totalmente inerte e não tóxico e que sua poeira forma flocos de grandes dimensões, que não chegam aos pulmões. A CSA informa, também, que acatou a decisão do Inea de indenizar moradores atingidos no valor referente à limpeza dos imóveis e mobiliário e que aguarda o instituto determinar a área onde as residências receberam a fuligem.

Pelas emissões de agosto, a secretaria do Ambiente multou a companhia em R$ 1,8 milhão e prometeu estabelecer nova multa por causa dos problemas do mês passado. Além disso, a companhia foi obrigada a operar com 30% de sua capacidade até que sejam resolvidos os problemas técnicos que resultaram no lançamento de poluentes no ar, no entorno da usina, em dezembro. Na ocasião, a secretária do Ambiente, Marilene Ramos, chegou a afirmar que a siderúrgica poderia não receber a licença definitiva de funcionamento, prevista para fevereiro, se não fizesse as adequações acertadas para evitar novas emissões.

A CSA, fruto de uma parceria entre a alemã ThyssenKrupp e a brasileira Vale, foi inaugurada em julho do ano passado e funciona com uma licença de pré-operação.

Edição: Lana Cristina

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