Rio de Janeiro, 04 de Maio de 2026

Finalistas ao prêmio 'Turner' são apresentados

Segunda, 17 de Outubro de 2005 às 11:45, por: CdB

A ecologia, o trabalho da memória, a pintura como representação e matéria, e a transformação dinâmica do espaço são inspiração para cada uma das obras dos quatro finalistas do polêmico prêmio Turner da Tate Gallery, no Reino Unido.

O meio ambiente e a reciclagem levaram Simon Starling a desfazer uma cabana de madeira para transformá-la em barco, no qual desceu depois o rio Reno, na Alemanha. Mais tarde, a madeira foi convertida em um telhado.

Em outra obra, Starling documenta sua viagem de 66 quilômetros pelo deserto de Tabernas, em Almería, na Espanha, cenário de vários spaghetti western, em uma bicicleta movida a hidrogênio e oxigênio comprimidos.

O artista britânico exibe o veículo de duas rodas e uma aquarela com um cacto pintado usando o único resíduo da bicicleta: água.

Utilizando o vídeo como meio, Darren Almond apresenta, em quatro telas, um filme que rodou em Blackpool, na Inglaterra e que reflete a sensação de perda que acompanha a passagem do tempo com uma inteligente combinação de imagens e sons.

Uma das telas mostra o rosto nostálgico da avó ao contemplar um casal sozinho na pista de um salão da cidade. Trechos do baile aparecem na segunda tela.

Outra projeção mostra um chafariz de água em cores vivas, simbolizando as alegrias de uma juventude já distante. Na quarta tela, giram sem cessar as pás de um moinho iluminado como o Moulin Rouge parisiense.

O escocês Jim Lambie, outro finalista, transformou totalmente a sala reservada para sua instalação. Começando pelo chão, cobriu de listras negras, brancas e cinza, que lembram as de outro artista, o francês Daniel Buren. Na obra de Lambie, as faixas se cruzam de modos diferentes.

Completam a instalação várias esculturas de tamanho médio que representam aves. Desses pombos e outras espécies, pendurou bolsas femininas feitas com pedacinhos de cristal ou as colocou contra um fundo negro que parecem formas como as utilizadas no teste cognitivo de Rorschach.

Na tentativa de aplacar os protestos contra a seleção de artistas que se expressam em outros meios para receber o prêmio que leva o nome de um dos mais aclamados pintores da história, JMW Turner, a pintura está representada desta vez por uma mulher: Gillian Carnegie.

Carnegie trabalha com os gêneros tradicionais como a natureza morta, paisagem ou nu. Mas em sua obra subjaz uma interessante tensão entre o objeto representado, que é sempre seu ponto de partida, e o tratamento da pintura como superfície e matéria, o que a aproxima da arte informal.

Essa tensão é especialmente visível em sua série de pinturas negras, que representam troncos de árvores construídos quase em relevo graças à espessura do pigmento utilizado.

A artista costuma trabalhar em séries. Uma das exibidas em Londres se inspira em um simples pedaço de seu próprio corpo - a base das costas e as nádegas - como em uma versão invertida da escandalosa obra de Gustave Courbet, Origem do mundo.

O ganhador do prêmio Turner, destinado a artistas britânicos que não chegaram aos cinqüenta, será escolhido por um júri presidido pelo diretor da Tate, Nicholas Serota, em 5 de dezembro.

Tags:
Edições digital e impressa