Um retrato devastador de um sistema corrupto e descontrolado emerge de dois documentários sobre a crise financeira que coincidem com o retorno de Oliver Stone a uma Wall Street fictícia no Festival de Cinema de Cannes.
Inside Job, dirigido por Charles Ferguson, e Cleveland versus Wall Street, do diretor suíço Jean-Stephane Bron, dissecam meticulosamente o desastre que colocou o sistema bancário global de joelhos.
Decompondo uma série altamente complexa de eventos, os filmes examinam o frenesi especulativo que vinculou compradores de casas nos EUA, autoridades complacentes e financistas globais irresponsáveis e, de tudo isso, destilam uma mensagem simples.
- O que aconteceu foi um assalto bancário, mas foi um assalto cometido pelo presidente do banco, não por algum sujeito aleatório que entra com uma arma na mão -, disse Ferguson.
- Foi um crime cometido pelas pessoas que comandavam o sistema financeiro -, disse ele.
- Nós deixamos essas pessoas correrem soltas, sem freios, e elas afundaram o sistema.
Hoje os nomes mais ilustres de Wall Street estão travando uma batalha de relações públicas para salvar suas reputações da maré de indignação pública contra o setor. Eles dizem que a opinião pública com frequência é injusta e mal informada.
Mas, com o velho vilão Gordon Gekko, criado por Oliver Stone, também presente em Cannes em Wall Street - O Dinheiro Nunca Dorme, o clima crescente de ira pública evidentemente se alastrou para o maior festival de cinema do mundo.
- Acho que os banqueiros deveriam estar na cadeia, mas as coisas não acontecem assim -, disse Stone em entrevista depois de seu filme ser exibido em Cannes, fora da competição.
- Hoje as pessoas já sabem: que os bancos nos estão ferrando e que eles saíram impunes.
Os dois documentários são os equivalentes cinematográficos da onda de livros sobre o derretimento financeiro que vem marcando presença nas listas de livros mais vendidos nos últimos meses, enquanto o público procura explicações sobre o que deu errado.
O filme de Ferguson procura explicar a crise dos bancos. Já Bron emprega o formato de um filme sobre julgamento, para mostrar as vítimas do colapso das hipotecas de alto risco que perderam suas casas quando os ventos financeiros mudaram de direção.
- Todo o mundo conhece o termo 'hipoteca de alto risco', mas não sabemos exatamente o que isso significa, o que está por trás desse termo -, disse o diretor.
- A gente precisa de personagens. Foi por isso que fizemos o filme no formato de um julgamento.