Mesmo em uma época de terrorismo -- ou talvez por causa disso -- há poucas coisas tão consoladoras como o crescimento dos filmes de horror de Hollywood, dizem psiquiatras e cineastas.
Este ano, os estúdios lançam não menos que 12 filmes do gênero durante a temporada de verão (no Hemisfério Norte), com início na sexta-feira com "A Casa de Cera" e prosseguindo com títulos como "High Tension", "Dark Water" e "A Chave Mestra".
O número é mais que o dobro do ano passado e bem acima de qualquer temporada nos últimos anos, de acordo com empresas da área.
Analistas dizem que a onda repentina de filmes de terror reflete o desejo da audiência americana de escapar da violência real no Iraque e em outras partes do mundo, que têm ocupado as manchetes dos jornais e o noticiário das TVs.
"Eles permitem que você participe de uma experiência que está, mais ou menos, sob o seu controle", disse o médico Charles Goodstein, do New York University Medical Center e ex-presidente da Associação Psicanalítica de Nova York. "Ocorre então que assistir a um filme de terror pode funcionar como um fator calmante", acrescentou. "Ele permite que você tenha -- em microcosmo -- uma situação que é muito assustadora, mas mesmo assim você sai são e salvo do cinema".
Na primavera de 2003, não muito tempo depois que as forças dos EUA invadiram o Iraque, "A Casa dos 1000 Corpos", do diretor Rob Zombie, surpreendeu a indústria com uma arrecadação global de 17 milhões de dólares -- desempenho ótimo para um filme de baixo orçamento sem grandes estrelas no elenco. Ele deu início à onda atual de filmes de terror.
Desde então, muito sangue e pedaços de corpos ganharam audiência superando outros gêneros. Um dos sucessos de 2004 foi um filme de 10 milhões de dólares -- "O Grito" -- que arrecadou 110 milhões de dólares, e recentemente "The Amityville Horror" foi o campeão de bilheterias no fim de semana de estréia.
Tom Ortenberg, presidente da Lions Gate Releasing, distribuidora de "A Casa dos 1000 Corpos", disse que depois que o filme começou a receber atenção seu telefone não parou de tocar com pessoas querendo saber como levar fãs de filmes de terror ao cinema.
A resposta de Ortenberg: marketing para audiências fiéis que abraçam o gênero com fervor.
"Há um exército silencioso de fãs", disse o diretor Zombie. "E também há algo estranho em tempos de guerra ou tempos ruins: as pessoas vêem tanto terror real que o terror de Hollywood parece OK".
A continuação de "1000 Corpos", "The Devils Rejects", chega aos cinemas também neste verão. "Você quer que as pessoas saiam dele sentindo que aquilo é errado, tipo 'Me senti bem mal de ter visto isso"', brinca Zombie.
O diretor Andrew Douglas, de Amityville Horror", observa que os filmes de terror são fantasias e apresentam um pacote maior de fantasia do que as pessoas obtêm na vida real.
Ele cita duas regras gerais para a animação de Hollywood em produzi-los. De modo geral, eles são menos caros porque usam menos estrelas, e eles são mais fáceis de serem vendidos em razão da base leal de fãs.