Fratricida, filme de Yilmaz Arslan, já é um sério concorrente ao Leopardo de Ouro, por tratar com segurança e seriedade um dos temas mais difíceis da Europa de hoje - o da integração de seus imigrantes e da vida levada pelos que se exilam em busca de uma vida melhor.
O tema expõe um confronto entre dois irmãos, porém, o fratricídio é também entre imigrantes irmãos, no caso entre curdos e turcos vivendo na Alemanha. O filme também mostra os centros de requerentes de asilo, a maioria por razões econômicas, onde se vive em más condições.
Yilmaz Arslan, imigrante turco de origem na Alemanha, mostra como os imigrantes formam um mundo à parte dentro da população, rompendo com seus princípios e tradições para sobreviverem. Muitas vezes, acabam se matando entre si, como no caso das comunidades turca e curda que levam consigo seus antagonismos.
Apesar de suas cenas atrozes e chocantes, a projeçao do filme mereceu longos aplausos, no Pavilhão Fevi, enorme sala com três mil lugares, onde são projetados os filmes em competição.
Apesar dos esforços de alguns países europeus, no sentido de uma integração dos imigrantes, a Alemanha vive o comunitarismo existente nos EUA, em que os imigrantes se aglomeram em grupos de origens idênticas. O maior grupo é o de turcos e os choques com membros do grupo curdo são frequentes.
O filme não se interessa pela prática da política de asilo da Alemanha, mas toma como referência a vida de um menino órfão de 11 anos e de um jovem também curdo, que se torna seu protetor. Ambos vivem do que ganham servindo de barbeiros clandestinos, precariamente instalados no banheiro de um restaurante turco. Outros para sobreviverem se dedicam ao comércio da droga ou da prostituição.
Yilmaz Arslan justifica a imigração dos trabalhadores vizinhos da Europa por constituir a única possibilidade de saírem da miséria em que vivem nos países de origem. "Eles querem ter sua parte no grande bolo de riqueza da União Européia".
A idéia do filme surgiu quando Yilmaz Arslan encontrou dois adolescentes curdos no metrô de Berlim, com eles conversou e foi mesmo verificar em que condições viviam no centro para requerentes de asilo. O projeto inicial de um documentário foi abandonado porque identificaria os adolescentes para a polícia de imigração.
Filmando com amadores, Yilmaz diz ter encontrado enormes dificuldades, agravadas pela falta de recursos. Uma das grande dificuldades foram as filmagens com o cachorro pitbull.
Filme se destaca com drama de imigrantes
Sábado, 06 de Agosto de 2005 às 12:09, por: CdB