O filme paquistanês 'Água Silenciosa', da diretora Sabiha Sumar, foi o vencedor do Leopardo de Ouro, prêmio do Festival Internacional de Cinema de Locarno, na Suíça.
A premiação foi uma surpresa, já que o favorito era o coreano 'Primavera, Verão, Outono, Inverno e Primavera'.
Água Silenciosa retrata o início da radicalização fundamentalista muçulmana no Paquistão, contando a história de Aicha, uma mulher de religião sikh que escapara do massacre de 1947, por muçulmanos, casando-se com um muçulmano e escondendo sua identidade.
Com a islamização do país pelo general Zia, Salim, o filho de Aicha, adere aos fanáticos muçulmanos, movimento em expansão em 1979, e quando começa a caça aos infiéis, descobre não ser um muçulmano puro.
Apesar do tema polêmico, a diretora, conhecida no Paquistão como militante feminista, afirma não haver problemas para a exibição do filme no seu país e na Índia.
O Leopardo de Prata de Locarno foi para o filme bósnio 'Gori Vatra, Ao Fogo', de Pjer Zalica, mostrando os primeiros passos para uma reconciliação entre bósnios e sérvios, tendo como fundo uma visita do ex-presidente americano Bill Clinton a um vilarejo bósnio.
Pjer Zalica conta de maneira satírica como a paz pode ser pior que a guerra, surgindo acompanhada da corrupção, prostituição e desemprego.
O filme romeno 'Maria', de Calin Netser, com uma história verídica sobre a miséria no seu país, ganhou o prêmio especial do júri e o de melhor ator masculino, para Serva Ionescu.
Maria se baseia na história de uma mulher casada com um bêbado e jogador obrigada a se prostituir para sustentar seus filhos. Descoberta pela TV romena, para a qual contou seu drama, acabou sendo explorada pela televisão.
O prêmio de melhor atriz foi repartido entre as atrizes Kirron Kher, do filme paquistanês, Diana Dumbrava, do filme romeno, e Holly Hunter, do filme americano 'Treze Anos', sobre uma adolescente, que também ganhou um Leopardo de Prata.
Filme paquistanês ganha 'Leopardo de Outro' na Suíça
Sábado, 16 de Agosto de 2003 às 16:39, por: CdB