Rio de Janeiro, 04 de Novembro de 2026

Filme mostra vida de prostituição dos brasileiros em Madri

Aos 25 anos, o brasileiro Tony Maia é a própria imagem dos conterrâneos que dominam o mercado da prostituição na Espanha. Desde 2004 ele está ilegalmente em Madri e admite que se prostitui porque é 'o caminho mais rápido e fácil para fazer dinheiro'. (Leia Mais)

Sábado, 12 de Janeiro de 2008 às 11:43, por: CdB

Aos 25 anos, o brasileiro Tony Maia é a própria imagem dos conterrâneos que dominam o mercado da prostituição na Espanha. Desde 2004 ele está ilegalmente em Madri e admite que se prostitui porque é 'o caminho mais rápido e fácil para fazer dinheiro'. Recentemente, Maia foi o protagonista de um curta-metragem que conta o dia-a-dia de um homem que se prostitui em Chueca, o bairro gay da capital espanhola.

Passagem de ida, dirigido pelo cineasta espanhol Isidro García, é o um relato autobiográfico do brasileiro e foi exibido na apresentação da pesquisa Trabalhadores masculinos do sexo, feita pelo Ministério da Saúde espanhol, em parceria com o governo regional de Madri e a ONG Triângulo.

- Cheguei aqui como a maioria dos imigrantes. Sem documentos, sem trabalho e sem dinheiro. Arranjei um namorado que me levou para esse lado porque era um jeito rápido e fácil de ganhar dinheiro. Quis deixar (essa ocupação), mas é difícil - diz ele.

Formado em informática no Brasil, Tony conta que sua família sabe que ele se prostitui na Espanha. Ele afirma que já tentou mudar de atividade e chegou a trabalhar como garçom durante oito meses. Ao perder o emprego, decidiu voltar para o mercado do sexo. O brasileiro disse que se prostituir 'não é o sonho de ninguém, mas também não tem nada demais'. Ele diz que seu maior medo é a Aids.

Tony, que é homossexual, conta que tem um amigo que está com a doença e que por isso só aceita ter relações sexuais com camisinha.

- Olha que é complicado insistir, porque a maioria prefere sexo sem preservativo, mas eu não topo isso nunca. Estou perdendo um dos meus melhores amigos que está infectado. Gostaria que ele deixasse essa vida, mas eu mesmo sei que é difícil e que ela vai acabando com a gente - diz ele.

O brasileiro define seu padrão de vida como de 'classe média com muitas regalias'. Ele conta que decidiu fazer o curta-metragem por dinheiro e 'também para mostrar a realidade desse trabalho'. Tony conta que a maioria dos profissionais que conhece são jovens gays brasileiros 'com corpos definidos, porque é o que agrada à clientela européia'.

O brasileiro se anuncia pela internet como chapero, (expressão em espanhol para os homens que se prostituem) com 21 fotos que mostram seu corpo musculoso e bronzeado. E mesmo afirmando que o sexo para ele 'é uma necessidade diária', conta que muitas vezes acaba o dia chorando.

- Se eu penso muito, me deprimo. Então me drogo para esquecer e ter forças para continuar - afirmou.

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