Rio de Janeiro, 29 de Outubro de 2026

Filme francês, após 21 anos de jejum, leva a Palma de Ouro

O filme Entre les murs (Entre muros, na tradução literal, sem título ainda em português), do diretor Laurent Cantet, venceu por unanimidade a Palma de Ouro do 61º Festival de Cannes, após 21 anos sem conquistar o prêmio máximo. (Leia Mais)

Domingo, 25 de Maio de 2008 às 17:37, por: CdB

O filme Entre les murs (Entre muros, na tradução literal, sem título ainda em português), do diretor Laurent Cantet, venceu por unanimidade a Palma de Ouro do 61º Festival de Cannes, após 21 anos sem conquistar o prêmio máximo. O anúncio foi feito pelo ator e diretor norte-americano Sean Penn, presidente do júri. Baseado no filme autobiográfico de Franços Begaudeau, .o filme estava entre os favoritos para os principais prêmios, após rasgados elogios de críticos e jornalistas, que pontuaram o retrato da energia e da tensão existente nas salas de aula, e sua exploração de temas universais como confiança, democraria, individualidade e raça.

Cantet ficou conhecido em 1999 com Recursos Humanos (Ressources Humaines), uma crônica ambientada em uma fábrica em crise, antes de confirmar seu talento para o cinema com A Agenda (L'emploi du temps, produzido em 2001) e Em Direção ao Sul (Vers le sud, de 2005), com Charlotte Rampling. Em seu quarto longa-metragem, com a adaptação do romance homônimo do jovem jornalista e professor François Bégaudeau, o diretor retrata o cotidiano de um instituto de ensino misto, em Paris, principalmente um professor de francês e seus alunos de adolescentes, ao longo do ano escolar.

- O filme que queríamos fazer tinha que ser uma reflexão da sociedade francesa-múltipla, de várias faces, complexa - disse Cantet no palco da cerimônia de entrega dos prêmios, acompanhando pelo grande elenco formado por adolescentes.

O mundo exterior à escola, a rua, o trânsito, a vida na cidade, somente aparece por alguns instantes no início do filme até chegar o professor ao colégio, no primeiro dia de aula. O restante da trama é vivido, literalmente, entre os muros da escola, em um ambiente de tensão constante. O espectador passa a conhecer, no jogo de câmeras, a relação intensa de todos os dias entre docentes submetidos a um desgaste permanente e adolescentes de todos as origens e cores, incansáveis, ternos, divertidos, violentos ao mesmo tempo. Em uma palavra, esgotantes.

Integrante do grupo de atores e diretores politicamente corretos de Hollywood, Sean Penn não surpreendeu o público ao anunciar um filme com fortes cores sociais e políticas. Anteriormente, ele adiantou que o vencedor seria um diretor que estivesse "consciente do momento em que ele vive".

O prêmio de melhor ator ficou com Benício Del Toro, por sua interpretação do papel de Che Guevara em Che, um longa-metragem de Steven Soderbergh, no qual o brasileiro Rodrigo Santoro interpreta o irmão do líder e hoje presidente de Cuba, Raúl Castro.

- Eu gostaria de dedicar este prêmio para o homem em pessoa, Che Guevara - disse Del Toro.

A melhor atriz, segundo o júri, foi a brasileira Sandra Carveloni, que interpreta a mãe de quatro filhos, sobrecarregada de trabalho, no filme Linha de Passe, do cineasta Walter Salles.

Por último, o prêmio especial foi entregue para dois grandes nomes do cinema: Catherine Deneuve e Clint Eastwood, cujo o filme The Exchange, estrelado por Angelina Jolie, também estava na competição.

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