Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Filme filipino sobre a ditadura ganha o Leopardo de Ouro em Locarno

Por Rui Martins - "Este filme se baseia na memória de minha infância, dois anos antes de ser decretada a Lei Marcial nas Filipinas, em 1972. Foi uma época catastrófica. Foi o começo do período mais negro de nossa história. Tudo que está no filme vem de minha memória, todos os personagens são reais, eu apenas mudei os nomes", assim Lav Dia sintetiza seu filme, vencedor da competição internacional do Festival de Cinema de Locarno, premiado com o Leopardo de Ouro.

Sábado, 16 de Agosto de 2014 às 20:00, por: CdB
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O cineasta filipino Lav Diaz exibe o Leopardo de Ouro, recebido na Piazza Grande, conquistado por seu filme
"Este filme se baseia na memória de minha infância, dois anos antes de ser decretada a Lei Marcial nas Filipinas, em 1972. Foi uma época catastrófica. Foi o começo do período mais negro de nossa história. Tudo que está no filme vem de minha memória, todos os personagens são reais, eu apenas mudei os nomes", assim Lav Dia sintetiza seu filme, vencedor da competição internacional do Festival de Cinema de Locarno, premiado com o Leopardo de Ouro. Feito em preto e branco, lento, com câmera móvel e filmado em tempo real, o filme  chega a 5 horas e trinta e oito minutos de projeção. O júri teve direito a uma pausa para tomar água, comer um sanduíche e ir ao banheiro, confessou o presidente Gianfranco Rosi. No seu encontro com a crítica, Lav Diaz, que já esteve na Mostra de Cinema de São Paulo, falou da memória da catástrofe que se abateu sobre seu país, dividida em quatro períodos sucessivos: a colonização espanhola que destruiu a cultura de origem da região; a colonização americana; os quatro anos de ocupação japonesa e os trinta anos de Lei Marcial do ditador Ferdinando Marcos. "Meu trabalho é uma reivindicação do nosso passado e de nossas origens", acentua Lav Diaz. O filme, que muitos críticos dividiram em duas ou três partes para ver em dias diferentes, relembra fatos sangrentos ocorridos num afastado lugarejo filipino, quando milícias agiam, matavam gado e  provocavam massacres de pessoas, enquanto o ditador Marcos decretava uma lei de exceção que perdurou por trinta anos.   Lav Diaz é considerado o mais importante cineasta atual das Filipinas e é conhecido por sua obstinada busca da verdade, com especial atenção ao período da ditadura, onde se cometiam crimes e torturas, humilhando-se o povo. Evolução de uma Família Filipina, outro filme de Lav Diaz, contando as lutas internas de uma família, no período da ditadura, é ainda mais longo, são onze horas de projeção. Houve uma certa decepção dentro da crítica, porque, na verdade, a maioria tinha sido conquistada pelo filme sobre a corrupção russa, e esperava a premiação de O Louco, de Yuri Bykov. mas o júri só concedeu o Leopardo de Melhor Ator ao russo Artem Bystrov. <b>Rui Martins</b>, de Locarno, convidado pelo Festival.
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