<i>O veneno da madrugada</i>, uma co-produção entre Brasil, Argentina e Portugal, dirigida pelo cineasta brasileiro Ruy Guerra, está entre os 20 selecionados da mostra competitiva do Festival de Cinema de San Sebastián, que será celebrado entre 15 e 24 e setembro nesta cidade do país basco espanhol.
Adaptação do romance <i>A má hora</i>, de Gabriel García Márquez, o filme está na disputa pela Concha de Ouro, prêmio máximo do festival.
O Brasil também se faz presente na seção paralela Horizontes Latinos, onde Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes, disputa com outros 11 filmes (10 de origem latina) o prêmio Horizontes Latinos destinado ao cinema latino-americano ou a obras inspiradas em temas desta região.
Histórias humanas e sociais predominam no festival, que não conta com nenhum representante americano na seção oficial, dominada pelo cinema europeu.
Entre os demais latino-americanos na mostra oficial, a Argentina terá dois representantes: <i>Iluminados por el fuego</i>, de Tristán Bauer, que conta a história sobre um jovem que lutou na guerra das Malvinas (1982); e <i>El Aura</i>, uma co-produção com França e Espanha, dirigida por Fabián Bielinsky (<i>Nove rainhas</i>), sobre um taxidermista que acredita ter cometido o crime perfeito. O longa terá a participação do ator Ricardo Darín, com quem Bielinsky trabalhou em <i>Nova rainhas</i>.
O espanhol Obaba, adaptação literária de Montxo Armendáriz, abrirá a mostra, e o neozelandês <i>The world's fastest indian</i>, de Roger Donaldson, exibido em caráter hors-concours, a encerrará.
Entre os outros europeus presentes, o britânico Terry Gilliam, cujo filme Irmãos Grimm gerou uma divisão de opiniões durante o Festival de Veneza, apresentará Tideland. Seu compatriota Michael Winterbottom, figurinha fácil em San Sebastián, exibirá <i>A cock and bull story</i>.
Também serão exibidos filmes asiáticos, como o chinês Xiang ri kui (Sunflower), de Zhang Yang, e o africano La vida perra de Juanita Narboni, uma co-produção entre Espanha e Marrocos da diretora marroquina Farida Benlyazid.
A atriz americana Angelica Huston presidirá o júri da mostra oficial, e entre os jurados estarão a atriz espanhola Verónica Forqué, o colega italiano Enrico Lo Verso e a diretora dinamarquesa Lone Scherfig.
O escritor chileno Antonio Skármeta, autor de <i>O carteiro e o poeta</i>, o diretor artístico Dean Tavoularis e o diretor e produtor francês Claude Miller, completam a lista de juízes da competição oficial.
Além dos 10 filmes latino-americanos listados na mostra Horizontes Latinos, outros sete representantes da região integram a seção Cinema em Construção, que San Sebastián realiza em conjunto com os Encontros de Cinema da América Latina, de Toulouse, destinado a auxiliá-los a concluir a fase de pós-produção.
O brasileiro <i>É proibido proibir</i>, de Jorge Durán, disputa com os outros concorrentes vários incentivos, como o Prêmio Cinema em Construção das Indústrias Técnicas, uma ajuda de custo de 9 mil euros da Casa de América para a pós-produção, Prêmio Signis de US$ 25 mil, Prêmio CIDAE de promoção na rede francesa de 2 mil cinemas de arte e ensaio, exibição internacional na rede mundial do Instituto Cervantes.
Em 2004, o filme argentino <i>Iluminados por el fuego</i>, que este ano integra a mostra competitiva oficial, foi o contemplado.
O Festival de San Sebastiáon, que luta por manter seu espaço no programa das mostras de cinema, espremido entre o Festival de Veneza e o de Toronto, concederá este ano dois prêmios honorários Donostia aos atores americanos Willem Dafoe e Ben Gazzara, e apresentará duas retrospectivas dedicadas aos diretores Abel Ferrara e Robert Wise.
A novidade desta edição será um ciclo dedicado às mulheres Rebeldes e insubmissas, com