Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Filme de Hollywood sobre Cruzadas quer melhorar imagem islâmica

Segunda, 11 de Abril de 2005 às 15:56, por: CdB

Um ator árabe que participa de um novo blockbuster de Hollywood ambientado durante as Cruzadas diz que o filme vai aumentar a compreensão que o Ocidente tem do mundo árabe e muçulmano, e não, como temem alguns, reforçar estereótipos antigos.

Khaled El Nabawy espera que "Kingdom of Heaven", sobre a batalha entre cristãos e muçulmanos pelo domínio de Jerusalém, no século 12, vá promover em lugar de prejudicar o diálogo e a compreensão entre seguidores das diferentes religiões.

"O timing é bom. Já era hora de o Ocidente saber mais sobre nós", disse o ator, que representa um líder religioso muçulmano no filme dirigido por Ridley Scott ("Gladiador"), que tem estréia prevista para maio.

"Nós sabemos mais sobre o Ocidente do que o Ocidente sabe sobre nós. Se você não me conhece, vai me julgar mal, e isso é um risco", disse Nabawy à Reuters em Cairo. "Não somos terroristas. Somos muito civilizados, e nossa história é testemunha disso."

"Kingdom of Heaven" está sendo antecipado como um dos maiores lançamentos de cinema do verão americano, e seu orçamento é estimado em 130 milhões de dólares.

Alguns religiosos e acadêmicos temem que um filme sobre as Cruzadas -- termo que o presidente Bush usou certa vez para descrever a guerra contra o terror -- possa alimentar a idéia de um choque insolúvel de civilizações entre Oriente e Ocidente.

Eles dizem que o filme pode alimentar a hostilidade contra o Islã no Ocidente e intensificar as desconfianças em relação ao Ocidente presentes no mundo muçulmano, onde as invasões do Iraque e do Afeganistão são retratados por alguns setores como parte de uma guerra contra o Islã.

Nabawy, porém, acha que o filme deve ter o efeito oposto. "O filme não é sobre a guerra -- é sobre o diálogo, é sobre a paz, sobre tentar enxergar a verdade."

"Temos cristãos que acham que este filme é pró-muçulmano, e muçulmanos que acham que ele é pró-cristão. Os dois lados vão ser levados a ir ao cinema para ver o filme, e isso será positivo para aumentar a compreensão entre eles."

Nabawy, cujos trabalhos anteriores incluem três filmes dirigidos pelo egípcio Youssef Chahine, é um dos dois árabes que têm papéis de destaque em "Kingdom", ambientado durante a Terceira Cruzada e rodado no Marrocos e na Espanha.

O ator sírio representa Saladino, o líder muçulmano curdo que recapturou Jerusalém dos cruzados cristãos em 1187. Liam Neeson e Orlando Bloom representam dois dos principais papéis de cruzados.

Nabawy disse que alguns árabes temiam que um filme sobre as Cruzadas produzido por uma empresa americana fosse parcial. Para eles, esses temores não têm fundamento.

"Ridley e o roteirista William Monahan se esforçaram muito para ter um roteiro objetivo e equilibrado. Eles discutiam tudo juntos, até o último dia de filmagens."

No mês passado, um historiador ameaçou processar a Twentieth Century Fox por infração de direitos autorais no filme, dizendo que o estúdio copiou elementos de um livro sobre as Cruzadas que ele publicou em 2001. O estúdio negou a acusação.

Tags:
Edições digital e impressa