Cerca de 8.000 filipinos realizaram uma passeata por Manila nesta sexta-feira, pedindo a renúncia da presidente Gloria Macapagal Arroyo, em meio a um aumento generalizado de preços que se soma a acusações de fraude eleitoral e de corrupção surgidas contra o governo.
Uma elevação do imposto nacional de venda, a proposta central dos planos de Arroyo para cortar os déficits públicos crônicos do país, entrou em vigor na sexta-feira, puxando para cima os preços de várias mercadorias e serviços.
A presidente depara-se provavelmente com a pior crise de seus quatro anos de governo - a oposição a acusa de ter cometido fraude eleitoral para vencer o pleito do ano passado e membros da família dela de receber propina de organizações de jogos ilegais.
Em um novo indício de que a base de apoio da dirigente pode estar prestes a rachar, um importante membro da Igreja Católica do país divulgou um comunicado dizendo que os líderes católicos deveriam responder ao povo.
Cerca de 400 soldados foram enviados para o palácio presidencial na quinta-feira a fim de reforçar os esquadrões da polícia antimotim no caso de os manifestantes se dirigirem para o local.
A multidão, que carregava faixas nas quais se liam mensagens como "Renuncie Gloria" e "Fora Gloria," era um pouco maior que a de protestos ocorridos recentemente, mas ainda muito menor do que as mobilizações populares que derrubaram presidentes no país em 1986 e 2001.
Entre os manifestantes havia simpatizantes de Joseph Estrada, o presidente deposto quatro anos atrás em meio a acusações de corrupção - Arroyo era vice de Estrada.
No entanto, apesar dos protestos contra a presidente não há sinais de um levante iminente. As Forças Armadas reafirmaram seu apoio à dirigente e três setores vitais da sociedade filipina - a classe média, a comunidade empresarial e a Igreja Católica - não aderiram aos pedidos da oposição para que Arroyo renuncie.