A família do refém filipino sequestrado no Iraque viu suas esperanças renovadas nesta segunda-feira, quando os insurgentes deram ao governo mais 48 horas de prazo para garantir a retirada imediata de sua força humanitária do país árabe.
O governo da presidente Gloria Macapagal Arroyo, que venceu as eleições recentemente, recusa-se a retirar os soldados do território iraquiano antes de 20 de julho, como exigem os militantes. As Filipinas planejam realizar a retirada um mês depois disso.
"Acho que há agora novos sinais de que a prorrogação do prazo dará outras 48 horas de vida (para o refém, Angelo de la Cruz)", disse a ministra filipina do Trabalho, Patricia Santo Tomas, em uma entrevista concedida de Dubai (Emirados Árabes Unidos).
A ministra, a mulher do refém e dois irmãos dele estão a caminho da Jordânia. A mulher de De la Cruz, Arsenia, fará um apelo em um canal de TV árabe, possivelmente na noite desta segunda-feira, disseram autoridades filipinas.
Autoridades do Ministério das Relações Exteriores do país asiático disseram que a rede Al Jazeera estava funcionando como intermediária nas negociações com os militantes. As autoridades filipinas, porém, já divulgaram informações erradas sobre o caso. No último sábado, elas se enganaram ao dizer que De la Cruz estava prestes a ser libertado.
O prazo anterior terminou às 17h (em Brasília) sem notícias do sequestrado enquanto familiares e amigos do filipino de 46 anos e pai de oito filhos realizavam uma vigília e oravam por ele.
Neste domingo, Delia Albert, ministra das Relações Exteriores do país, disse não haver planos de retirar a força humanitária do Iraque antes do dia 20 de agosto.
Arroyo, uma fiel aliada dos EUA, vê-se pressionada para salvar De la Cruz, que trabalhava como motorista de caminhão na região. "Neste momento, o governo da senhora Arroyo acredita valer a pena correr o risco de provocar a fúria da população filipina", afirmou o analista de política Earl Parreno.