Com turbantes e roupas brancas com detalhes azuis, os integrantes do afoxé Filhos de Gandhy são figuras marcantes do Pelourinho. Na Rua Gregório de Matos, onde fica a sede do bloco, homens sentam nas calçadas para receber a paramentação necessária ao desfile. Mais do que uma manifestação festiva, a intenção anunciada pelo grupo é propagar a fé e a cultura negra no carnaval de Salvador.
De forma sintética, Valdemar José de Souza, o tio Souza, relações públicas do grupo, define o significado de afoxé, nome que diferencia o Filhos de Gandhy de outros blocos carnavalescos afro-brasileiros.
— O afoxé é o candomblé no asfalto —, explicou.
Desde sua fundação em 1949, o Filhos de Gandhy tem mantido suas tradições. Apenas homens integram o bloco que, em seu nome, homenageia o líder indiano Mahatma Gandhi.
— No primeiro ano, eles [os fundadores do bloco] não permitiram que as mulheres ligadas a eles saíssem para que não houvesse nenhuma divergência. Não era permitida a participação das mulheres e também combinaram que não deveriam beber —, informou tio Souza.
Com o tempo, as influências do afoxé têm se perpetuado nas famílias participantes do bloco. Muitos dos integrantes fazem parte do Filhos de Gandhy desde criança, a pedido dos pais.
— Faço parte e venho para o Filhos de Gandhy há mais de dez anos. Venho desde criança pela cultura e tradição negra. Meu pai saía e eu vinha acompanhando e estou aí até hoje —, disse o segurança Ailton Cerqueira.
Mesmo sem poder participar com o afoxé na avenida, a cabelereira Bárbara Ferreira também tomou gosto pelo bloco por influência familiar. Há 14 anos, a baiana contribui para colocar na cabeça dos homens os turbantes feitos de toalha.
— Minha mãe me ensinou a técnica para preparar o Filhos de Gandhy. A tradição passou de geração para geração —, afirmou, após explicar que cada trabalho com as toalhas demora entre 10 e 15 minutos.
Filhos de Gandhy levam fé e cultura às ruas de Salvador
Com turbantes e roupas brancas com detalhes azuis, os integrantes do afoxé Filhos de Gandhy são figuras marcantes do Pelourinho. Na Rua Gregório de Matos, onde fica a sede do bloco, homens sentam nas calçadas para receber a paramentação necessária ao desfile. Mais do que uma manifestação festiva, a intenção anunciada pelo grupo é propagar a fé e a cultura negra no carnaval de Salvador. (Leia Mais)
Segunda, 04 de Fevereiro de 2008 às 12:01, por: CdB