A instrumentista gaúcha Helena Meirelles vai ganhar um pequeno documentário para a TV. Nada mal para essa senhora de 79 anos que só foi notada após ter sido apadrinhada pela revista estrangeira Guitar Player há pouco menos de 10 anos. Helena tem um estilo nada convencional, sem ter nenhuma influência da indústria fonográfica. Seus métodos incluem até mesmo a fabricação de acessórios (como palhetas, em um processo que leva meses e são extraídas de árvores). A compositora está prestes a gravar um novo disco ainda na próxima semana. O problema é burocrático: não há transporte para que sejam carregados todos os instrumentos usados por ela.
Mas isso não é muito se pensarmos no famoso cheque de R$ 6,50 recebido pela cantora Inezita Barroso de sua gravadora. O valor era referente à porcentagem de vendas e direitos autorais de um de seus discos. Resumindo: por que as gravadoras não têm um plano de seriedade para com seus artistas? Com esses dois casos, se constata que alguns artistas de qualidade e com um histórico que comprova seu talento, são muito pouco valorizados.
Outro adendo: Helena Meirelles, assim como Tom Zé e José Mojica Marins, são artistas que só foram (re)valorizados por causa de um "incentivo" internacional. O ostracismo é facilmente remanejado quando um estrangeiro dá o seu aval. Tom Zé foi revivido graças a uma visita de David Byrne (dos Talking Heads) a um sebo. Mojica teve uma nova perspectiva após ter sido rebatizado como Coffin Joe. Meirelles, conforme foi dito, virou musa-exótica de eruditos da Guitar Player.
Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026
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