Filho de Slobodan Milosevic, Marko desembarcou na Holanda nesta terça-feira, a fim de buscar o corpo de seu pai, para ser enterrado em Moscou. As autoridades sérvias não permitiram o enterro em Belgrado. Milosevic morreu na prisão, no sábado, poucos meses antes de chegar ao fim o julgamento no qual enfrentava acusações de crimes de guerra. Ele governou por uma década a Iugoslávia, período durante o qual o país esfacelou-se em meio a conflitos.
Marko disse que o prefeito de Moscou, Yuri Luzhkov, tinha concordado em realizar o funeral do ex-presidente iugoslavo na capital russa. Ainda nesta terça-feira, a corte da Organização das Nações Unidas (ONU) que julgava Milosevic há mais de quatro anos por acusações de crimes de guerra, genocídio e crimes contra a humanidade encerrou os procedimentos oficialmente.
- Lamentamos a morte dele. Também lamentados o fato de sua morte ter privado não apenas a ele, mas na realidade a todos os envolvidos, de um julgamento sobre as acusações - afirmou o juiz presidente Patrick Robinson.
Russos desconfiam
O governo da Rússia disse desconfiar da investigação realizada pelo tribunal da ONU a respeito da morte de Milosevic e enviou ao local médicos russos a fim de avaliar a situação. Um relatório preliminar de autópsia mostrou que o ex-presidente, que enfrentava um problema cardíaco e pressão alta, morreu devido a um infarto. Mas exames de toxicologia ainda estão sendo realizados.
O tribunal afirmou que terá os resultados desses exames ainda nesta semana. Patologistas sérvios que participaram da autópsia realizada por especialistas holandeses disseram que o procedimento havia sido bastante profissional. Segundo o advogado de Milosevic, o ex-presidente temia estar sendo envenenado. O réu escreveu uma carta para a Rússia um dia antes de morrer pedindo ajuda, disse o advogado.
"Ao longo de todo o julgamento, houve passos intencionais adotados para destruir minha saúde. Aqueles contra os quais defendi meu país, durante a guerra, estão interessados em me silenciar", escreveu.
Um especialista holandês afirmou que exames de sangue realizados semanas antes de Milosevic morrer sugeriam que o ex-dirigente, 64, estava conscientemente tomando remédios danosos a sua saúde a fim de conseguir autorização para receber tratamento médico na Rússia. Se fosse considerado culpado, o réu poderia ter sido condenado à prisão perpétua. Milosevic era acusado de 66 crimes de guerra ocorridos nos conflitos da Bósnia, da Croácia e de Kosovo, nos anos 1990.
A procuradora-geral do tribunal da ONU, Carla del Ponte, afirmou ter ficado indignada com o fato de as vítimas dele não terem visto a justiça ser feita e sugeriu que o ex-presidente pode ter se matado para fugir de uma condenação. Na semana passada, no mesmo centro de detenção em que estava Milosevic, o ex-líder servo-croata Milan Babic suicidou-se.