Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Filho de Kadyrov chama povo checheno a vingar a morte de seu pai

Terça, 11 de Maio de 2004 às 12:39, por: CdB

O chefe das milícias pró-russas e vice-primeiro-ministro da Chechênia, Ramzán Kadyrov, chamou hoje, terça-feira, o povo checheno a combater aqueles que assassinaram Akhmad Kadyrov, seu pai e presidente dessa república russa do Cáucaso.

Ramzán Kadyrov participou hoje de uma sessão conjunta do Conselho de Estado e governo chechenos e agradeceu sua nomeação como vice-presidente do Executivo feita ontem, um dia depois da morte de seu pai em um atentado que acabou com a vida de outras seis pessoas.

Kadyrov morreu no domingo passado em decorrência da explosão de uma bomba sob a tribuna de honra do estádio Dínamo de Grozni, onde ele assistia a uma parada militar que comemorava a vitória da URSS sobre a Alemanha nazista.

"Vejo em minha nomeação um sinal de respeito ao meu pai. Acho que Akhmad Kadyrov vai nos servir de símbolo em nossa luta", disse Ramzán na reunião feita por ambas as instituições para homenagear o falecido presidente.

Ramzán, de 27 anos, foi nomeado pelo atual presidente interino da Chechênia, Sergei Abramov, um jovem político russo que tinha sido designado pelo Kremlin primeiro-ministro dessa república em março deste ano, para controlar as passagens de Akhmad Kadyrov.

Mas foi o próprio presidente russo, Vladimir Putin, que, poucas horas depois do atentado, mostrava na televisão russa suas condolências a Ramzán e lhe dava o apoio necessário para ser uma das figuras chaves no novo panorama político checheno.

Ramzán Kadyrov lembrou ante o governo e o Conselho de Estado chechenos que o compromisso dele e de seu pai na luta contra o separatismo se remonta ao início da atual guerra.

Em 1999, quando esta segunda guerra começou, "meu pai me disse que mesmo correndo risco de morrer violentamente estava disposto a lutar contra o terrorismo e o wahabismo", disse Kadyrov filho.

O wahabismo é uma corrente fundamentalista do Islã originária da Arábia Saudita e que, segundo Moscou, relaciona os separatistas chechenos ao terrorismo internacional.

Akhmad Kadyrov intensificou em 1999 suas críticas aos wahabistas, por considerar que eles rompiam as tradições muçulmanas do Cáucaso e se alinhou com o Kremlin, que em breve viu no então mufti, líder religioso da Chechênia, um possível instrumento em sua luta contra os separatistas.

"Eu, na época, jurei que não o abandonaria nem por um minuto. Ele era para mim um presidente, um pai e também um irmão", afirmou Kadyrov filho.

Segundo o novo vice-primeiro-ministro checheno, se ele tivesse morrido no lugar de seu pai, este "teria vestido o uniforme e teria partido para a luta contra os wahabistas".

O filho do falecido presidente instou os chechenos a seguir a luta empreendida por seu pai, que, ao ser declarada a segunda guerra chechena, tomou o partido do Kremlin, apesar de ter lutado, no conflito de 1994 a 1996, contra Moscou e defendido a capital, Grozni, ante o avanço das tropas russas.

"Chamo os membros do governo, os chefes das regiões administrativas; chamo o povo checheno a não descansar e a lutar contra este terrível mal", pediu Kadyrov.

Em uma entrevista concedida hoje à agência Interfax, Ramzán Kadyrov manifestou seu apoio à política do Kremlin na Chechênia e assegurou que "de forma alguma mudará seu curso".

O filho do malogrado presidente lidera uma força paramilitar formada por milhares de policiais e milicianos que, nos últimos anos, combateu os separatistas, mas também semeou o terror entre a população civil mediante o assassinato, o seqüestro e a extorsão.

Os "kadirotsi", como são conhecidos este grupo de entre 5.000 e 10.000 paramilitares, segundo diversas fontes, acolheu muitos dos rebeldes que renunciaram à luta contra o Kremlin.

Embora Ramzán não tenha podido apresentar sua candidatura a sucessão de seu pai nas eleições antecipadas por sua idade (o mínimo é 30 anos, segundo a Constituição chechena), o futuro presidente checheno terá que pactuar com ele se não quiser enfrentar os principais clãs desta belicosa região.

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