Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Fiesp pede regulamentação do comércio com a China

Quarta, 02 de Março de 2005 às 15:37, por: CdB

O presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), embaixador Rubens Barbosa, voltou a criticar a decisão do governo federal de considerar a China como uma economia de mercado e cobrou uma regulamentação das relações comerciais do Brasil com esse país. Barbosa anunciou que a entidade está criando um setor para auxiliar os empresários a se proteger de práticas ilegais de comércio praticadas pela China.

O embaixador participou nesta quarta-feira, em São Paulo, do seminário A Emergência da China: Oportunidades e Desafios para o Brasil, organizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) e Conselho Empresarial Brasil-China.

Rubens Barbosa relembrou a posição contrária da Fiesp ao reconhecimento do governo.

- Somos contra por dois motivos principais: primeiro, porque não fomos consultados em um assunto dessa magnitude, e segundo, porque o acordo não é eqüitativo - declarou.

Segundo ele, o acordo define a China como economia de mercado e depois tem sete cláusulas, "como que barganhas", que não foram cumpridas na sua maioria.

Para o embaixador, a China não pode ser considerada uma economia de mercado porque o Estado desempenha um papel fundamental no seu planejamento e organização.

- Pode até estar em transição para uma economia de mercado, mas ainda não é - avalia.

Na opinião dele, antes desse reconhecimento o País poderia definir salvaguardas para qualquer suspeita de irregularidade praticada pela China, como a venda de produtos abaixo do custo de produção para quebrar os concorrentes. Agora, para exigir compensações ou realizar aumentos de tarifas ou incluir cotas, o Brasil precisa de autorização da Organização Mundial do Comércio (OMC).

- Isso vai fazer os processos demorarem muito mais - criticou.

De acordo com o embaixador, as importações brasileiras da China aumentarão ainda mais.

- Os dados da Fiesp apontam um crescimento dessas importações, por causa da valorização do real, que fez com que de um superávit nós passássemos para um déficit no setor industrial - comentou.

Segundo Barbosa, a Argentina já regulamentou suas relações com a China:

- E eles assinaram o acordo com a China no dia seguinte ao do Brasil.

O embaixador disse esperar que o setor privado brasileiro também participe da regulamentação aqui.

Tags:
Edições digital e impressa