O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, entregou nesta terça-feira um manifesto contrário à continuidade da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) com 1,2 milhão de assinaturas. As folhas com as assinaturas foram levadas em carrinhos de supermercado à audiência pública da Comissão Especial criada para analisar a proposta de prorrogação da CPMF e entregues ao relator deputado Antonio Palocci (PT-SP).
Segundo Skaf, a carga tributária no Brasil já é muito elevada e o governo federal está tendo um aumento de arrecadação que permitiria acabar com a CPMF sem prejuízo para os programas sociais e para a saúde.
— A sociedade brasileira não quer mais impostos, ela quer melhores serviços, melhor gestão dos gastos públicos, redução de gastos e desperdício —, afirmou.
Ao comentar uma proposta do deputado Antonio Palocci de não mexer na CPMF e em contrapartida trabalhar na desoneração da folha de pagamento, Skaf disse que não se pode trocar o certo pelo duvidoso.
— A sociedade brasileira não vai trocar o fim da CPMF, que está previsto na lei, por eventuais discussões sobre desonerações, que não têm nada de concreto —, disse.
Ele ressaltou que a extinção da CPMF não deve preocupar os investidores, pois a confiança do Brasil não está na redução da carga tributária, mas no aumento das despesas.
— Em termos de imagem, a preocupação é muito maior com o ajuste fiscal, com o crescimento dos gastos públicos, do que com a extinção de um imposto —, disse.
O economista Raul Velloso, especialista em finanças públicas, defendeu na Comissão Especial que o fim da CPMF poderia promover a redução da carga tributária e oferecer maior potencial de crescimento da economia e o aumento da arrecadação de outros tributos.
Ele alertou que a redução de qualquer imposto no Brasil teria que, necessariamente, estar atrelada à redução de gastos.
— Sem isso, eu temo que passe uma impressão complicada para um país como o nosso, que tem a dívida e a situação fiscal que tem. Isso pode trazer um solavanco necessário para o país —, disse.
Para o presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, Gilberto Amaral, a CPMF é o pior imposto do país, especialmente por seu efeito cumulativo.
— A CPMF incide reiteradas vezes sobre a mesma movimentação financeira, e tem um efeito perverso. Ela taxa todos os produtos e serviços de maneira igual. E é pior para os pobres —, disse Amaral.
Segundo ele, os brasileiros trabalham sete dias por ano só para pagar a alíquota.
Fiesp e economistas defendem o fim da CPMF
Terça, 11 de Setembro de 2007 às 15:52, por: CdB