Por toda a América Latina, onde vivem quase metade dos católicos do mundo, as pessoas choraram e rezaram pelo fim do sofrimento do papa, cuja saúde se agravou na sexta-feira.
No Brasil, maior país católico do mundo, missas especiais foram celebradas, e os senadores rezaram um Pai-Nosso.
- Vim especialmente orar por ele - disse Damiana Cunha, 60 anos, segurando um rosário e a foto de João Paulo II, durante a missa na catedral da Sé, em São Paulo.
- Ele foi um homem simples, que veio do mundo comunista, chegou ao Vaticano e imprimiu seu estilo de liderança, de mostrar à Igreja que ela não deve só falar aos fiéis católicos, mas a todos os seus irmãos no mundo na linguagem da paz e do respeito - disse o senador Pedro Simon, que comandou a oração no Senado.
No México, onde 90 por cento da população é católica, os fiéis lotaram a enorme catedral da capital para rezar pelo pontífice agonizante. Muitas pessoas levaram retratos do papa e choraram durante a missa especial de quinta-feira à noite.
- É tão triste perder alguém tão bonito. Alguém que deu tudo pela humanidade. Ele ajudou muita gente, e é triste que esteja nesta situação - disse María Enriqueta Terán, com os olhos vermelhos, na missa de sexta-feira de manhã.
- Ele já sofreu o bastante e ainda está sofrendo muito. Às vezes a gente prefere que Deus leve alguém embora porque está sofrendo - disse a idosa Guillermina Pedraza.
O catolicismo é a fé dominante na América Latina desde a chegada dos conquistadores portugueses e espanhóis, há 500 anos, ainda que a religião tenha sido eventualmente pincelada por rituais mais coloridos e divindades indígenas e africanas.
As emissoras de rádio e TV de toda a região acompanham a situação do papa minuto a minuto, às vezes direto do Vaticano. Os jornais têm manchetes como "Ele está morrendo" ou "Ele está nas mãos de Deus".
Estátua abençoada
No Peru, centenas de fiéis, muitos com velas, lotaram as igrejas para rezar pelo papa. Em Lima, as orações se concentraram diante da estátua de bronze da Virgem Maria, feita para a primeira visita do papa ao Peru, em 1985, e que foi abençoada por ele na ocasião.
A Conferência Episcopal Peruana pediu aos católicos - quase toda a população - que continue pedindo a Deus por João Paulo II.
- Estou tão triste. Estou rezando para que Deus lhe devolva a saúde e lhe dê paz - disse Irene Castro, beijada na testa pelo papa durante a visita dele, em 1985, à favela Villa El Salvador, onde ela mora.
No Chile - onde o papa estava há exatos 18 anos - senadores e outras autoridades participaram da missa ao meio-dia na catedral de Santiago. }
- Estou arrasada. Ele é um homem que representa Deus na Terra, então como seres humanos é impossível para nós estarmos preparados para perdê-lo - disse uma mulher que compareceu à missa.
- Mas vamos aceitar a vontade de Deus. Se Ele decidir, teremos de nos resignar e esperar que o novo papa tenha a visão e a bondade que João Paulo II teve conosco.
Entre as homenagens, a de um velho adversário - o ex-presidente esquerdista Daniel Ortega, da Nicarágua, onde João Paulo II foi vaiado por militantes sandinistas durante uma missa, em 1983.
- Ele teve um grande, extraordinário sucesso em um momento da história em que grandes mudanças estavam ocorrendo - afirmou Ortega.
- O papa já conseguiu deixar um grande legado para a humanidade.
Fiéis e políticos rezam pelo papa em toda a América Latina
Sexta, 01 de Abril de 2005 às 15:20, por: CdB