Rio de Janeiro, 21 de Janeiro de 2026

Fidel volta a criticar a produção de etanol

O premiê cubano, Fidel Castro, não compareceu à marcha pelo Dia do Trabalho, nesta capital, mas se fez presente em editorial, publicado na edição desta terça-feira do jornal do Partido Comunista de Cuba, o Granma, no qual faz uma reflexão sobre a produção do etanol como alternativa aos combustíveis fósseis, no mundo. Embora ainda esteja se recuperando de uma cirurgia no abdome, Fidel optou por permanecer em repouso e longe das câmeras, no feriado. (Leia Mais)

Terça, 01 de Maio de 2007 às 08:13, por: CdB

O premiê cubano, Fidel Castro, não compareceu à marcha pelo Dia do Trabalho, nesta capital, mas se fez presente em editorial, publicado na edição desta terça-feira do jornal do Partido Comunista de Cuba, o Granma, no qual faz uma reflexão sobre a produção do etanol como alternativa aos combustíveis fósseis, no mundo. Embora ainda esteja se recuperando de uma cirurgia no abdome, Fidel optou por permanecer em repouso e longe das câmeras, no feriado.

Fidel Castro abre o artigo com a frase: "Nada tenho contra o Brasil", e segue com uma crítica ao uso de biocombustíveis elaborados a partir de alimentos.

"Para muitos brasileiros, sobre os quais não param de martelar argumentos em um sentido ou outro, capazes de confundir a pessoas tradicionalmente amigas de Cuba, pareceríamos desmancha-prazeres àqueles que querem apenas o ingresso de recursos estrangeiros no país. Mas ficar em silêncio seria, para mim optar entre a idéia de uma tragédia mundial e um suposto benefício para o povo dessa grande nação" continua.

"Não vou culpar o Lula e aos brasileiros dos princípios objetivos que têm regido a história de nossa espécie. Apenas transcorreram sete mil anos desde que o ser humano deixou suas pegadas ao que chegou a ser uma civilização imensamente rica em cultura e conhecimentos técnicos. Seus avanços não aconteceram ao mesmo tempo e no mesmo lugar, geograficamente. Pode-se afirmar que, devido à aparente imensidade de nosso planeta, em muitos casos se desconhecia a existência de uma outra civilização. Jamais, durante milhares de anos, o ser humano viveu em cidades de 20 milhões de habitantes, como São Paulo ou Cidade do México, ou em comunidades urbanas como Paris, Madri, Berlim e outras que vêem transitar trens sobre trilhos e colchões de ar, a velocidades de mais de 400 quilômetros por hora", registrou.

O editorial, com o título "O que se impõe imediatamente é uma revolução energética", também reforça o perigo da política dos Estados Unidos, de apoiar o uso de alimentos para a produção de combustíveis como o etanol. Segundo o premiê, "as grandes multinacionais norte-americanas produtoras de biocombustível, que investem aceleradamente dezenas de milhões de dólares, exigiram do chefe do império a distribuição no mercado dos EUA de não menos do que 35 milhões de galões desse combustível, por ano. Entre tarifas de proteção e subsídios reais, a cifra por ano chegará à casa dos US$ 100 milhões".

A responsabilidade do presidente norte-americano, George W. Bush, na formação de um mercado mundial de etanol também é alvo de pesadas críticas do premiê cubano. Segundo Fidel, "antes de viajar ao Brasil, Bush, o chefe do império, estabeleceu que o milho e outros alimentos seriam a matéria prima adequada para produzir biocumbustível. Lula, por sua vez, declarou que, a partir da cana-de-açúcar, o Brasil poderia suprir o que fosse necessário, vendo nesta fórmula um futuro melhor para o Terceiro Mundo. O único problema pendente de solução seria melhorar as condições de vida dos trabalhadores na cultura da cana. Ele estava consciente, e assim o declarou, que os Estados Unidos deveria suspender as barreiras alfendegárias e os subsídios que afetam a exportação do etanol aos EUA", ressaltou.

"Mas Bush respondeu que as tarifas e os subsídios aos agricultores eram intocáveis em um país como os EUA, maior produtor mundial de etanol à base de milho", pontuou.

O uso de grãos comestíveis para o abastecimento de veículos, segundo Fidel, seria um desperdício e uma injustiça.

"O Brasil produz um excelente alimento, especialmente rico em proteína, a soja: 50.115.000 toneladas. Consume quase 23 milhões de toneladas e exporta 27,3 milhões. Será que uma parte importante dessa soja irá se converter em biocombustível?", questiona.

Ainda no editorial, Fidel alerta para o fato que "nada impede que o capital norte-americano e eur

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