O líder cubano Fidel Castro criticou o cultivo de cana-de-açúcar para fabricação de biocombustível, em artigo que rompe um silêncio de oito meses. Fidel assinou, na edição desta nesta quinta-feira do diário Granma um artigo cujo título é "Condenadas à morte prematura por fome e sede mais de 3 milhões de pessoas no mundo".
"Não é uma estimativa exagerada, é cautelosa", afirma o líder, no texto. Nele, o líder diz que "transformar alimentos em combustíveis" mais limpos do ponto de vista ambiental é "uma "tragédia", e "uma idéia sinistra". Fidel sustenta que a mudança climática deveria ser combatida com medidas simples, como o uso racional de energia, e não através do uso de recursos naturais e alimentares.
- Isto significaria um respiro para resistir à mudança climática sem matar de fome as massas pobres do mundo - disse.
Em Cuba, país cuja economia é sustentada pela cana-de-açúcar, "as terras dedicadas à produção direta de álcool podem ser muito mais úteis na produção de alimentos para o povo, e a proteção do meio ambiente", escreve Fidel.
"Dêem financiamentos para os países pobres produzirem etanol a partir do milho ou qualquer tipo de alimento e não sobrará uma árvore para defender a humanidade da mudança climática", assina. "Por isso, independentemente da excelente tecnologia brasileira para produzir álcool, em Cuba o emprego de tal tecnologia para produção direta de álcool a partir do suco da cana-de-açúcar não constitui senão um sonho ou desvario dos que se iludem com esta idéia".
Há oito meses, Fidel está licenciado do cargo para tratar as complicações decorrentes de uma cirurgia mal-sucedida. No artigo, Castro não fala de seu estado de saúde nem de temas de política doméstica.