O líder da Revolução Cubana explicou que, devido à sua idade, não poderá mais participar da organização política como fez em épocas anteriores
19/04/2011
Da redação
O líder da Revolução Cubana, Fidel Castro, anunciou nesta terça-feira (19) sua renúncia da direção do Partido Comunista de Cuba (PCC) e explicou que, devido à sua idade, não poderá mais participar da organização política como fez em épocas anteriores.
Fidel fez seu anúncio por meio de um texto publicado na imprensa local. No artigo, ele explica porque seu nome não está entre os integrantes do novo Comitê Central. "Raúl sabia que eu não aceitaria hoje cargo algum no partido", afirmou.
O VI Congresso do PCC, o primeiro desde 1997, teve início no último sábado (16) e terminou nesta terça-feira (19). Aplaudido pelos presentes, Fidel compareceu à cerimônia de encerramento da cúpula.
Fidel assumiu em 1965 o cargo de primeiro secretário do Comitê Central do PCC, cargo que foi transmitido ao irmão Raúl Castro. Em fevereiro de 2008, Fidel anunciou sua saída da Presidência da República e passou o cargo a Raúl. Na época, ele alegou problemas de saúde.
Eleições
O atual presidente de Cuba, Raúl Castro, e o vice-presidente, José Ramón Machado Ventura, foram eleitos, respectivamente, o primeiro e o segundo-secretário do PCC.
“Como primeiro-secretário do partido, foi eleito o companheiro que pelos méritos, a trajetória, fidelidade ao povo, ao partido, a Fidel [Castro] e à Revolução [Cubana, em 1969], o companheiro Raúl Castro", disse o líder Júlio Camacho Aguilera.
"Assumo minha última tarefa com a firme convicção e compromisso de honra de defender, preservar e seguir aperfeiçoando o socialismo e não permitir jamais o regresso do regime capitalista", completou Raúl Castro.
Sobre seu irmão, Fidel Castro, o atual presidente de Cuba afirmou que o líder já demonstrou, ao longo de seu trabalho a frente do país caribenho, que "enquanto tiver forças continuará apoiando a luta revolucionária".
"Fidel é Fidel e não precisa de cargo algum para ocupar sempre um lugar de destaque na história, presente e futuro de Cuba, enquanto tiver forças para fazer isso, desde sua modesta condição de militante do partido e soldado das ideiais continuará apoiando a luta revolucionária e propósitos mais nobres da realidade", afirmou.
Mudanças
Raúl Castro sustentou que deve dar cumprimento aos pontos aprovados no Congresso, uma vez que o Comitê Central analisará ao menos duas vezes por ano o andamento dos acordos e da atualização do modelo econômico do país.
Na segunda (18), o VI Congresso do Partido Comunista aprovou a criação de uma comissão especial para verificar e coordenar as modificações. De acordo com o site CubaDebate, o ex-ministro da Economia e Planejamento Marino Murillo, que deixou a pasta no mês passado, deve ficar encarregado deste setor. Ele será o responsável por supervisionar a implementação e garantir que as mudanças sejam feitas conforme foi aprovado no congresso.
A resolução aprovada indica que o modelo econômico do país caribenho deve primar pelo planejamento, levando em conta as tendências do mercado. Estes princípios devem ser harmonizados com maior autonomia das empresas estatais e o “desenvolvimento de novas formas de gestão”, informou a imprensa cubana.
O novo modelo deve reconhecer e promover, além da empresa estatal, principal força da economia nacional, as modalidades do investimento estrangeiro, das cooperativas, dos pequenos agricultores, dos arrendatários, dos trabalhadores autônomos e outras formas que possam surgir para contribuir para elevar a eficiência.
O congresso ressaltou ainda que, no período que agora se inicia, os cubanos devem lembrar “o socialismo como igualdade de direitos e oportunidades para todos os cidadãos, não igualitarismo”, e reforçou que, na sociedade socialista, ninguém ficará desamparado.
Um dos receios é de que haja desemprego na ilha, já que muitos funcionários estatais serão dispensados. O governo, porém, garante que essas pessoas serão remanejadas para setores onde há maior demanda de mão-de-obra. Outros poderão trabalhar como autônomos. Estima-se que haverá redução de 20% dos postos de trabalho no funcionalismo público e a abertura para o setor privado de 178 pequenas empresas.
Até 2015, o governo estima que metade dos cinco milhões de funcionários públicos passem a integrar o setor privado. Aqueles que deixarem seus postos serão estimulados a integrar cooperativas de construção ou agrícolas. Em Cuba, 40% das áreas de terras cultiváveis ainda não são utilizadas, apesar da distribuição de terra em usufruto realizada desde 2008.
Segundo Castro, a convocatória para a próxima conferência nacional ocorrerá em 28 de janeiro de 2012 quando completarão 99 anos do nascimento de José Martí, a fim de determinar se serão necessárias novas mudanças para obter êxito na nova gestão do Partido Comunista. (com informações de agências)