Rio de Janeiro, 29 de Março de 2026

Fidel não vai presidir cúpula dos não-alinhados e Chávez aparece

Sexta, 15 de Setembro de 2006 às 11:08, por: CdB

Chanceler cubano, Felipe Pérez Roque disse, nesta sexta-feira, que o premiê Fidel Castro não vai presidir a delegação cubana na 14ª Cúpula do Movimento dos Países Não-Alinhados (MPNA), que acontece em Havana. Cuba será representada por seu irmão Raúl, um general de 75 anos a quem Fidel delegou temporariamente o poder em 31 de julho, enquanto se recupera de uma cirurgia no intestino. Embora ausente, Fidel Castro foi eleito presidente da cúpula "por aclamação".

- Como já disse publicamente o próprio Fidel, ele cumpre rigidamente as recomendações médicas e, portanto, não estará presidindo a delegação cubana na cúpula. Apesar do rigor e da vontade com que segue seu tratamento e fisioterapia, os médicos insistiram que ele continue em repouso - disse Pérez Roque na abertura da reunião de 116 países em desenvolvimento.

Pérez Roque disse que a saúde de Fidel Castro, de 80 anos, "melhora continuamente". Não ficou claro se o líder cubano aparecerá em alguma das atividades da cúpula, como um jantar de gala programado para a noite de sexta-feira.

O chanceler cubano disse que Fidel assumirá a presidência do MPNA assim que se recuperar.

Novo astro

Em sua primeira apresentação na cúpula do Movimento dos Países Não-Alinhados, em Havana, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, falou o suficiente por si e pelo seu aliado e amigo Fidel Castro. Os dois são notórios pela longa duração de seus discursos.

- Como Fidel não pôde vir..., ele me disse que falasse pelo tempo estava previsto para ele falar. Tenho testemunhas de que estou autorizado - brincou o presidente venezuelano.

Com Fidel doente, Chávez promete ser o astro da reunião, que acontece na sexta-feira e no sábado com representantes de 116 países em desenvolvimento. Assim que pisou em solo cubano, o líder venezuelano de 52 anos comparou seu aliado e mentor de 80 anos com Dom Quixote, o romântico cavaleiro andante que lutava contra os moinhos de vento no romance de Miguel de Cervantes.

E Fidel dedicou ao amigo venezuelano boa parte da primeira entrevista que concedeu desde que transferiu temporariamente o poder para seu irmão, no dia 31 de julho.

- Chávez está criando um modelo indestrutível. Não é portador de um socialismo extremo, mas realista - disse Fidel numa entrevista publicada quinta-feira pelo jornal argentino Página 12.

Mas a ligação entre os dois não tem raízes apenas ideológicas. O líder venezuelano, que comanda o quinto maior exportador de petróleo do mundo, ajudou Cuba a sair da forte crise econômica provocada pela desintegração da União Soviética, e apóia os programas de assistência médica que a ilha exporta hoje para mais de 50 países. Cuba e Venezuela querem ressuscitar o Movimento dos Países Não-Alinhados, criado há 45 anos como alternativa ao mundo polarizado da Guerra Fria. Os dois países querem transformar a organização numa frente contra a influência dos Estados Unidos.

- A Venezuela propõe a necessidade de dar um novo rosto, um novo corpo, uma nova alma a esse grupo tão importante - disse Chávez a jornalistas. Mas a impressão é que Chávez também está pedindo apoio à candidatura da Venezuela para uma das cadeiras rotativas do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

Os 116 países do movimento representam quase dois terços dos votos na Assembléia Geral da ONU, a proporção que a Venezuela precisaria para obter a vaga. Enquanto isso, a saúde de Fidel Castro segue um mistério. Ainda não se sabe quando voltará ao poder, que abandonou pela primeira vez desde 1959. Foi Raúl Castro, seu irmão de 75 anos, que recebeu os 50 chefes de Estado e de governo que participam do encontro.

Hugo Chávez já visitou Fidel quatro vezes desde o problema de saúde do cubano. O último encontro aconteceu na quinta-feira, e um vídeo mostrou o líder cubano de pé pela primeira vez desde a operação.

- Seja qual for sua situação, Fidel continuará sendo o cérebro estr

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