Rio de Janeiro, 16 de Outubro de 2026

Fidel em seus 85

Quarta, 17 de Agosto de 2011 às 08:19, por: CdB

Tradução: ADITAL

Fidel, lúcido como sempre e mais sábio do que nunca. Opassar dos anos, acompanhado por uma notável capacidade para refletir sobre asvicissitudes de sua vida e do mundo o enriqueceram extraordinariamente. Seuolhar, que sempre teve o privilégio de internar-se no horizontehistórico-universal, tornou-se mais agudo: Fidel vê onde os demais não veem; yo que vê são as essências e não as aparências. Tinha razão García Márquez,quando disse que ele é "incapaz de conceber qualquer ideia que não sejadescomunal”.

Retirado de todos seus cargos à frente da revolução cubana,continua sendo, sem a menor dúvida, "o Comandante”. Não somente do glorioso"Movimento 26 de Julho” ou das Forças Armadas Revolucionárias Cubanas, mas deum exército mundial de mulheres e homens que lutam por sua vida, por suadignidade e pela sobrevivência do gênero humano, hoje ameaçada por um arsenalnuclear de incalculáveis proporções uma pequeníssima parte do qual sobrariapara arrasar toda forma de vida no planeta Terra. Sobrevivência tambémcomprometida pela fúria predatória de um sistema –o capitalista-, que convertetudo o que toca em mercadoria, em um simples objeto, cuja excludente finalidadeé produzir lucro.

A favor dessa visão de águia que, em seu momento, Lêninreconhecera em Rosa Luxemburgo, pode denunciar, quase solitário, a criseecológica que hoje nos abruma, bem como os perigos da demente corridaarmamentista desencadeada pelo imperialismo estadunidense. Alguns, certamente,recordarão sua intervenção na I Cúpula da Terra, no Rio de janeiro, em 1992,quando o Comandante alertou sobre o risco ecológico no qual o planeta seencontrava. Enquanto o presidente dos Estados Unidos, George Bush, negava-se aassinar os protocolos do Rio, Fidel denunciava que "Uma importante espéciebiológica está em risco de desaparecer devido à rápida e progressiva liquidaçãode suas condições naturais de vida: o ser humano”.

E prosseguia sua análise, dizendo que o consumismodesenfreado e o desperdício irracional que a economia capitalista propicia sãoos responsáveis fundamentais por essa situação: "Com somente 20% da populaçãomundial... (os capitalismos metropolitanos) consomem as duas terças partes daenergia produzida no mundo. Envenenaram o ar; debilitaram e perfuraram a camadade ozônio; saturaram a atmosfera de gases que alteram as condições climáticascom efeitos catastróficos que já começamos a padecer. Os bosques desaparecem;os desertos se estendem; milhões de toneladas de terra fértil vão parar,anualmente, no mar. Inúmeras espécies se extinguem. A pressão populacional e apobreza conduzem a esforços desesperados para sobreviver, mesmo à custa danatureza. Não é possível culpar os países do Terceiro Mundo por essa situação;colônias ontem, nações exploradas e saqueadas hoje por uma ordem econômicamundial injusta”.

Com certeza, suas palavras não foram escutadas pela quasetotalidade dos chefes de Estado lá convocados -quem, agora, recorda agora seusnomes?- e que continuaram bailando desprevenidos no deck do Titanic.

Sábio como poucos, Fidel se perguntava nesse mesmo discurso:"Quando as supostas ameaças do Comunismo desapareceram e já não restampretextos para guerras frias, corridas armamentistas e gastos militares, o queimpede dedicar, imediatamente, esses recursos para promover o desenvolvimentodo Terceiro Mundo e combater a ameaça de destruição ecológica do planeta?”. Elesabia perfeitamente bem a resposta, tal como a expusera em milhares deocasiões: o impedimento radica na própria essência do capitalismo como sistemae no imperialismo como sua forma atual.

Lúcido e valoroso combatente desse flagelo, na prática,porém também no plano das ideias, Fidel denunciou seus horrores desde antes doassalto ao Moncada e em seu extraordinário alegado em defesa própria.

Testemunha e, ao mesmo tempo, excepcional protagonista dalenta, porém inexorável decadência do imperialismo estadunidense, suasiniciativas práticas bem como suas didáticas reflexões oferecem aos povos umriquíssimo arsenal de ideias e informações, recolhidas com a minuciosidadeprópria de um Darwin, sabedor de que para mudar a complexa realidade de nossotempo, de nada valem esquemas preconcebidos ou rotundas simplificações.

Retirado de seus cargos oficiais, o infatigável soldadocontinua lutando sem quartel na crucial "batalha de ideias”, uma frente que,lamentavelmente, a esquerda descuidou durante muito tempo; porém, agora, contacom inúmeros combatentes. E desde lá, ilumina o esperançado caminho que conduzrumo à emancipação humana e social. Como diz a canção popular mexicana, Fidel,"feliz em teu dia, e que vivas muitos anos mais”.

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