Rio de Janeiro, 05 de Maio de 2026

Fidel e Chávez devem ser estrelas de cúpula na Espanha

A Espanha espera aumentar sua influência na América Latina em uma cúpula nesta semana, mas personalidades como o cubano Fidel Castro, ou o venezuelano Hugo Chávez, que enfrentam Washington, podem roubar a atenção. O primeiro-ministro espanhol, Jose Luis Rodriguez Zapatero, colocou a América Latina no topo de sua agenda diplomática desde que assumiu o cargo, em abril do ano passado. (Leia Mais)

Quarta, 12 de Outubro de 2005 às 17:08, por: CdB

A Espanha espera aumentar sua influência na América Latina em uma cúpula nesta semana, mas personalidades como o cubano Fidel Castro, ou o venezuelano Hugo Chávez, que enfrentam Washington, podem roubar a atenção. O primeiro-ministro espanhol, Jose Luis Rodriguez Zapatero, colocou a América Latina no topo de sua agenda diplomática desde que assumiu o cargo, em abril do ano passado. O encontro ibero-americano começa na cidade espanhola de Salamanca na sexta-feira com 22 países, e será uma oportunidade para o socialista mostrar sua liderança.

O Conselho de Assuntos Hemisféricos, grupo de pesquisa com base em Washington, disse em relatório nesta semana que Zapatero capitalizou o "vácuo diplomático" deixado na América Latina depois que os EUA e algumas potências européias se concentraram na guerra ao terrorismo após os ataques de 11 de setembro em cidades norte-americanas.

- O novo governo espanhol aproveitou esta oportunidade... para agir no futuro próximo como um importante fator regional, bem como para servir como porta para países da América Latina para a União Européia que desejam maior integração com a Europa - disse.

Em demonstração simbólica de amizade, soldados de todos os países da América Latina, com exceção de Cuba, participaram ao lado de tropas espanholas de uma parada militar em Madri para marcar um feriado nacional, com presença do rei espanhol, Juan Carlos, do presidente do Chile, Ricardo Lagos, e de Honduras, Ricardo Maduro.

Uma peça importante da estratégia de Zapatero para a América Latina é a tentativa de dar um novo impulso para os encontros anuais ibero-americanos, que perderam importância nos últimos anos.

- Este é o momento certo para fortalecer uma comunidade de mais de 600 milhões de pessoas e reforçar a voz da Ibero-América - disse neste mês o ministro do Exterior espanhol, Angel Moratinos, a um comitê parlamentar.

Crescimento econômico

Bancos, empresas de serviços e de telecomunicações da Espanha são grandes investidores na América Latina, que agora vive um crescimento econômico. O encontro de dois dias vai se concentrar na economia, imigração e melhoria da qualidade de vida. Mas o plano de liderança da Espanha pode ser vítima dos líderes esquerdistas Fidel e Chávez.

Chávez, com o país incentivado pelo preço alto do petróleo, quer aumentar sua própria influência oferecendo acordos lucrativos de energia na região. Washington considera sua revolução socialista como uma ameaça para a democracia na região. O jornal espanhol El País disse nesta semana que autoridades temem que Fidel "absorva a atenção da mídia" no encontro.

Fidel não confirma suas viagens ao exterior até o último minuto, mas autoridades espanholas esperam vê-lo em Salamanca. Será a primeira vez que o líder comunista de 79 anos participa da cúpula desde 2000, no Panamá, quando denunciou um complô de cubanos-americanos para assassiná-lo. Uma proposta de resolução sobre terrorismo que Cuba pretende apresentar em Salamanca deverá provocar polêmica.

O texto apóia a extradição para a Venezuela do exilado cubano Luis Posada Carriles, ex-agente da CIA anti Fidel procurado pela Venezuela por uma explosão em um avião cubano, em 1976, que matou 73 pessoas. Um juiz dos EUA decidiu que Posada não pode ser deportado para Cuba ou para a Venezuela, afirmando que pode sofrer ameaças e tortura.

O encontro marcará o início do novo secretariado ibero-americano, liderado por Enrique Iglesias, ex-chefe do BID. A Espanha vai propor que o secretariado tenha o status de observador na ONU. Os presidentes de El Salvador, Tony Saca, e da Guatemala, Oscar Berger, disseram que não vão participar devido à devastação causada pelo Furacão Stan em seus países.

A imprensa espanhola disse que o presidente do Equador, Alfredo Palacio, também não irá devido a problemas políticos internos, mas isso não pôde ser confirmado de imediato.

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