Rio de Janeiro, 18 de Setembro de 2026

Fidel desdenha de cúpula de líderes latinos e europeus

Quinta, 27 de Maio de 2004 às 06:53, por: CdB

O presidente de Cuba, Fidel Castro, disse que a cumplicidade da União Européia com os Estados Unidos e a traição de alguns de seus vizinhos latino-americanos "submissos" impediam a ilha comunista de participar, na sexta-feira, da cúpula entre o bloco europeu e líderes da América Latina, marcada para acontecer no México.

O encontro promete ser uma cerimônia vazia, sem uma agenda determinada para tratar dos problemas sociais enfrentados pelos latino-americanos, disse o líder cubano de 77 anos, em um comunicado no qual explicou sua ausência da cúpula de Guadalajara.

Segundo Fidel, a expulsão do embaixador cubano do México no dia 1o de maio e as acusações "desonestas" do governo mexicano de que Cuba estava interferindo em assuntos internos do país outrora aliado também contribuíram para a decisão da ilha de não participar da cúpula.

Em uma carta aberta dirigida ao povo mexicano, Fidel criticou os líderes da Europa e da América Latina por se curvarem diante das políticas de seu maior rival, os EUA. "A cumplicidade da União Européia com os crimes e agressões cometidos pelos norte-americanos contra Cuba fazem dela algo que nosso povo não pode levar a sério", afirmou o dirigente cubano.

Fidel acusou vários governos latino-americanos de seguir cegamente ordens dos EUA. Ele também disse esperar que os presidentes esquerdistas da Venezuela, da Argentina e do Brasil façam o possível para defender os interesses da América Latina nos "cinco minutos que lhes serão concedidos para falarem".

- Talvez no banquete de abertura, com oradores cuidadosamente escolhidos, entre pratos extravagantes e champanhe que nada têm a ver com as bilhões de pessoas que sofrem com a fome e a miséria no mundo, alguém possa ouvir os ecos das vozes de um verdadeiro dissidente - disse Castro.

Castro vem sendo criticado pela repressão política na ilha caribenha. Na quarta-feira, na Cidade do México, o primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero (socialista), disse que Cuba ainda tinha um longo caminho a percorrer antes de criar uma sociedade democrática

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