Ex-presidente cubano, Fidel Castro, voltou a atacar os EUA, em novo editorial, publicado na edição desta segunda-feira do diário comunista Granma. Fidel diz que "se ouve com força" na América do Sul "as trombetas da guerra, em conseqüência dos planos genocidas do império ianque", ao se referir à crise entre Colômbia, Equador e Venezuela. Fidel, no artigo, lembrou que nesta segunda começa em Havana o Encontro sobre Globalização e Problemas do Desenvolvimento, e que o principal orador seria seu "querido amigo", o presidente do Equador, Rafael Correa, mas que "não poderá assistir", devido à crise causada pela incursão de tropas colombianas em território equatoriano.
"Nada é novo! Estava previsto!", acrescentou o dirigente cubano.
A tensão se agravou após o Exército colombiano matar o número dois das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Raúl Reyes, em território equatoriano, desencadeando uma série de acusações e provocações entre os três países. A Venezuela e o Equador estacionaram suas tropas na fronteira com a Colômbia em reação ao ataque aéreo das forças colombianas contra guerrilheiros abrigados em território equatoriano. O governo do Equador expulsou o embaixador colombiano em Quito e retirou o seu de Bogotá, acusando a Colômbia de ter violado propositalmente sua soberania.
A Colômbia chegou a pedir desculpas pela incursão militar, mas disse que a operação contra o acampamento dos rebeldes era necessária porque seus soldados eram alvos a partir do lado equatoriano. Mas o governo colombiano, aliado dos EUA, disse também ter encontrado no acampamento documentos que vinculam o presidente esquerdista do Equador, Rafael Correa, aos guerrilheiros. A acusação é negada pelo Equador porque a evidência não foi apresentada a escrutínio público.
– Foi um massacre. Encontramos até corpos baleados pelas costas. Não permitiremos que isso fique impune – disse Correa.
Os Estados Unidos, que dão expressiva ajuda a Uribe no combate a guerrilheiros e narcotraficantes, informaram que estão monitorando os fatos depois da "reação estranha" de Chávez. França pediu moderação aos envolvidos e voltou a defender uma negociação que leve à libertação de reféns das Farc, inclusive a da política franco-colombiana Ingrid Betancourt.