O anúncio, nesta terça-feira, 19 de fevereiro de 2008, de que está deixando a Presidência de Cuba, marca o fim de um longo período de resistência ao país mais poderoso do mundo, os Estados Unidos. Durante o longo período de governo, Fidel sobreviveu a nove diferentes governos norte-americanos e também a algumas tentativas de assassinatos.
Para os Estados Unidos, Fidel representava o último resquício da conduta comunista. A nada menos do que 144 quilômetros de distância de sua costa, a pequena ilha sempre pareceu ameaçar a gigantesca potência.
Fidel nasceu em 1926, em Birán, leste de Cuba. Filho de latifundiários, estudou direito e ciente dos grandes contrastes entre seu confortável cotidiano e a pobreza de muitos cubanos, foi se direcionando para um destino revolucionário.
Com um grupo de jovens decidiu derrubar o regime de Fulgêncio Batista, que fazia da Cuba de 1950 um paraíso tropical para ricos, que exploravam a ilha, deixando rastro de prostituição, tráfico e desigualdade. Fidel Castro liderou uma invasão ao quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, no dia 26 de julho de 1953. Apesar de fracassada, a iniciativa marcou o começo da revolução que acabaria levando-o ao poder.
Durante o julgamento por esta ação, Fidel proferiu frase que seria lembrada durante toda sua vida política: "A história me absolverá". Foi condenado a 15 anos de prisão, mas 22 meses depois é anistiado e se exila no México, onde conhece o jovem médico argentino Ernesto "Che" Guevara.
Ao lado de "Che", o jovem cubano monta uma campanha de guerrilha a partir de sua base, na Serra Maestra e em 1959, Fulgêncio Batista deixa o país e Fidel estabelece um novo governo que prometia devolver a propriedade da terra aos agricultores e defender o direito dos pobres. Já em maio deste mesmo ano, ele lança a Lei de Reforma Agrária.
Desde o começo, Fidel insistiu que sua ideologia era, acima de tudo, cubana.
- Não há comunismo nem marxismo em nossas idéias, só democracia representativa e justiça social, dizia.
Apesar disso, o novo modelo de governo de Cuba foi sempre mal visto pelos Estados Unidos, principalmente com o início da nacionalização de empresas norte-americanas e logo Cuba