Apesar de ter perdido 18,6 quilos, Fidel Castro afirmou nesta terça-feira que o momento mais crítico de sua crise de saúde ficou para trás e garantiu que receberá as autoridades que assistirão à reunião de cúpula do Movimento de Países Não-Alinhados (NOAL) na próxima semana, em uma mensagem divulgada pelo jornal oficial Granma.
- Posso afirmar que o momento mais crítico ficou para trás. Hoje me recupero em ritmo satisfatório. Nos próximos dias receberei visitantes distintos - afirma Castro no texto.
O líder cubano, que aparece em 11 fotografias, algumas vestido com um pijama azul e em outras com um mais claro, lendo e escrevendo.
- Isso não significa que cada atividade vá estar imediatamente acompanhada de imagens gravadas ou fotografadas, mas sempre serão oferecidas notícias de cada uma delas - acrescenta.
O governante, que não informava a evolução de sua saúde desde 13 de agosto, afirma que em poucos dias perdeu 18,6 quilos de peso e que há poucos dias foi retirado o último ponto cirúrgico, depois de 34 dias de convalescença de uma cirurgia intestinal.
Castro se referiu ao vídeo em que apareceu na sexta-feira, com semblante melhor mas visivelmente mais magro, enquanto recebia - ao lado do irmão Raúl - em seu leito de convalescente o presidente venezuelano Hugo Chávez, que fez escala em Cuba no retorno de uma viagem à Ásia e África.
- Alguns opinaram, com razão, que me acharam um pouco magro, como único elemento desfavorável. Me alegro muito de que tenham percebido - comentou o presidente, que entregou provisoriamente o comando do país ao irmão por causa da doença.
Fidel afirmou que em nenhum dia, desde o início da doença, deixou de fazer "um esforço para sanar as conseqüências políticas adversas de tão inesperado problema de saúde" e destacou que avançou em várias questões importantes.
Conta ainda que concluiu a revisão de suas respostas nas entrevistas compiladas no livro Cem Horas com Fidel, do jornalista franco-espanhol Ignacio Ramonet, mas que nem por isso deixou de cumprir "estritamente" seus "deveres como paciente disciplinado".
- Todos devemos compreender que não é conveniente oferecer sistematicamente informações, nem divulgar imagens sobre meu processo de saúde. Todos devemos compreender também, com realismo, que o tempo de uma completa recuperação, queiramos ou não, será prolongado - destaca a mensagem desta terça-feira.
O líder da revolução cubana acrescentou que não teme nada e que ninguém deve temer algo, pois o país "está bem e avança", ao mesmo tempo em que insistiu na necessidade de que a evolução de seu estado de saúde seja tratada com discrição, em favor da segurança do país e da revolução.
A nova mensagem foi divulgado a uma semana do início da XIV Reunião dos Países Não-Alinhados, para a qual são esperados 50 governantes e delegações dos 116 países membros. A presença de Fidel no evento era uma grande incógnita até o momento. Ele assumirá a presidência do NOAL pela segunda vez, a primeira em 27 anos.
A última mensagem que Fidel dirigira aos cubanos havia sido divulgada em 13 de agosto, quando completou 80 anos, em um texto publicado no jornal Juventude Rebelde com suas primeiras fotos de convalescente, no qual afirmava estar melhor, mas não descartava qualquer notícia adversa e prometia lutar pela vida.
Pela primeira vez em quase 48 anos de governo, Fidel Castro cedeu em 31 de julho todos os poderes ao irmão Raúl. Um dia depois declarou sua saúde "segredo de Estado", alegando que os Estados Unidos poderiam utilizar a informação para agredir Cuba.
A saída temporária de Fidel do governo gerou várias hipóteses sobre o futuro da ilha comunista. Porém, mais de um mês depois da mudança de comando, a vida transcorre com normalidade em Cuba.