A Fiat está pedindo à General Motors pagamento de US$ 3 bilhões para cancelar a opção que possui para vender sua deficitária divisão de automóveis para a companhia norte-americana, publicou o Automotive News nesta segunda-feira.
Citando fontes próximas à Fiat, o periódico informou que a GM, maior montadora do mundo, ofereceu em troca US$ 500 milhões para não ser obrigada a comprar a Fiat Auto. A Fiat não comentou o assunto e representantes da GM não estavam disponíveis.
A GM abriu na quinta-feira passada processo para encerrar a disputa via negociações diretas entre os dois presidentes-executivos das empresas, que precisam se encontrar pessoalmente em até 20 dias úteis após 16 de dezembro.
Se os executivos não chegarem a um acordo até 10 dias após a reunião, cada empresa pode ir à Justiça para resolver o assunto. O Automotive News citou uma fonte na Fiat afirmando que o conglomerado italiano também acusa a GM de violar os termos de uma joint-venture para o desenvolvimento de motores e transmissões, mas não deu detalhes. As empresas atuam juntas também na compra de componentes.
Importantes executivos da GM e da Fiat reuniram-se na semana passada, mas não conseguiram acertar as diferenças sobre a opção de venda da Fiat Auto, parte de um acordo assinado em 2000 quando a GM comprou uma participação na montadora em troca por 6 por cento de suas ações, avaliadas em US$ 2,4 bilhões de dólares.
O presidente-executivo da Fiat, Sergio Marchionne, afirmou este mês que há uma "real possibilidade" de a Fiat exercer a opção de venda que força a GM a comprar 90% por cento da Fiat Auto que ainda não possui.
A GM defende que a opção de venda não é mais válida porque a Fiat violou certos aspectos do acordo quando recapitalizou a montadora. A dívida de bilhões de dólares da Fiat Auto torna o valor da montadora praticamente nulo, afirmam analistas. A tomada de controle da empresa pode atingir a GM com mais custos de restruturação e o negócio pode se tornar uma dor de cabeça política na Itália, onde a Fiat é um ícone industrial.
As operações da GM na Europa não dão lucro desde 1999 e a empresa enfrenta grandes custos com fundos de pensão e planos de saúde nos Estados Unidos. A GM vai cortar 12 mil empregos na Europa, cerca de um quinto de sua força de trabalho na região, nos próximos dois anos.