Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Fiat estuda vender fábrica para a GM

Sexta, 10 de Dezembro de 2004 às 09:58, por: CdB

A Fiat está considerando todas as opções para sua unidade automotiva, incluindo a "possibilidade real" de exercer a opção de vendê-la para a General Motors, disse o presidente-executivo da empresa ao jornal The New York Times.

O presidente-executivo Sergio Marchionne vem insistindo que a opção, que pode concretizar-se a partir de 24 de janeiro, é "efetiva e realizável", mas esta foi sua declaração mais clara até o momento sobre a venda da Fiat Auto, criada há 105 anos.

- A Fiat analisará suas opções em termos de negócios e como seguir adiante, incluindo a possibilidade real de exercer a opção - disse Marchionne em entrevista para ao jornal, publicada na sexta-feira.

Um porta-voz da Fiat não comentou o assunto. As duas empresas vivem um impasse sobre a operação, que faz parte de um acordo de troca de ações e de formação de uma joint-venture em 2000, e divergem sobre a validade da opção após a Fiat ter vendido ativos e recapitalizado a Fiat Auto para ajudá-la a sair de uma crise profunda.

Marchionne tem se posicionado muito mais duramente sobre o exercício da opção que seus predecessores, que consideravam a possibilidade da GM pagar para que a venda não fosse feita. Enquanto isso, a GM tenta devolver a lucratividade às suas operações européias ao mesmo tempo em que enfrenta custos elevados com pensões e planos de saúde para seus funcionários nos Estados Unidos. A companhia argumenta que a opção de venda da Fiat Auto não é mais válida desde a recapitalização da montadora italiana.

Ano passado, as companhias concordaram em adiar as negociações sobre a opção por um ano, até 24 de janeiro de 2005. Além disso foi estabelecido que nenhuma delas moveria processos uma contra a outra até 15 de dezembro deste ano.

Marchionne afirmou que compreende o momento difícil vivido pela GM, mas a "Fiat tem que fazer o melhor para a unidade de automóveis e ... criar o maior valor possível para os acionistas da Fiat". Um dos problemas do executivo é que a joint-venture formada com a GM impede a Fiat de unir forças com outra montadora.

O New York Times citou o executivo afirmando que o direito de vender a Fiat Auto para a GM foi uma das principais razões para o grupo Fiat ter concordado restringir parcerias, mas que agora "precisamos ter nossa liberdade estratégica de volta".

Executivos da GM e da Fiat devem se reunir na terça-feira para encontro trimestral regular que discutirá duas joint-ventures na produção de transmissões e compra de componentes. No dia seguinte, expira o prazo definido para as empresas não moverem processos uma contra a outra. Fontes próximas a Marchionne disseram que é possível que ele leve a GM à Justiça para provar que a opção de venda da Fiat Auto é válida. Além disso, a GM pode também abrir um processo contra a Fiat.

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