Rio de Janeiro, 19 de Agosto de 2026

FHC responde a críticas de Lula com bravata de nova disputa às eleições

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em entrevista ao programa Começando o Dia, que estreia na rádio Cultura FM, nesta segunda-feira, desafiou o petista Luiz Inácio Lula da Silva a disputar uma eleição contra ele. A bravata foi uma tréplica às críticas de Lula por um artigo publicado pelo adversário tucano, semana passada.

Sábado, 16 de Abril de 2011 às 12:06, por: CdB
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O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em entrevista ao programa Começando o Dia, que estreia na rádio Cultura FM, nesta segunda-feira, desafiou o petista Luiz Inácio Lula da Silva a disputar uma eleição contra ele. A bravata foi uma tréplica às críticas de Lula por um artigo publicado pelo adversário tucano, semana passada. O sociólogo disse, ainda, que o ex-presidente Lula, "lá de Londres, refestelado em sua vocação nova (de palestrante)", se "dá o direito de gozar" dele. – Ele se esquece que eu o derrotei duas vezes. Quem sabe ele queira uma terceira. Eu topo – convidou. A notícia, publicada em primeira-mão, neste sábado, na coluna da jornalista Mônica Bergamo, no diário conservador paulistano Folha de S. Paulo. Em Londres, o ex-presidente Lula respondeu ao artigo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), e criticou seu antecessor por defender que os tucanos passem a mirar na classe média e deixar de lado, nas próximas disputas eleitorais, o apoio do "povão". Dizendo não ter entendido bem o sentido da manifestação, Lula declarou considerar que "povão" são brasileiros de todas as classes e, por isso, a razão de ser do país. – Eu sinceramente não sei o que ele quis dizer. Nós já tivemos políticos que preferiam cheiro de cavalo que o povo. Agora tem um presidente que diz que precisa não ficar atrás do povão, esquecer o povão. Eu sinceramente não sei como é que alguém estuda tanto e depois quer esquecer do povão – afirmou Lula, após participar de seminário de uma multinacional de telefonia em Londres. Além da alusão a Fernando Henrique, Lula mencionou indiretamente João Figueiredo, o último dos presidentes militares da ditadura. Apaixonado por cavalos, ele declarou, à época, que preferia o cheiro de cavalos ao do povo. A polêmica afirmação do ex-presidente foi retirada de um artigo publicado na revista Interesse Nacional que ganhou as manchetes de jornais paulistas. No texto, Fernando Henrique defende que a oposição deveria voltar-se para as "novas classes possuidoras", alheias ao jogo partidário e mais ligadas a redes sociais na internet, e desistir do "povão", quer dizer, das camadas mais pobres. – O povão é a razão de ser do Brasil, e dele fazem parte a classe média, a classe rica, os mais pobres. Todos são brasileiros. O povo brasileiro não aceita mais uma oposição vingativa, com ódio, negativista. O que o povo brasileiro quer é gente que pense com otimismo no Brasil, afinal de contas conquistamos um estágio de autoestima que já não podemos voltar atrás – rebateu Lula. O discurso de Lula no evento em Londres foi um elogio ao Brasil, com destaque à estabilidade fiscal, econômica e democrática. Nesta quinta-feira, Lula segue para a Espanha, para encontrar o presidente José Luis Rodríguez Zapatero, receber um prêmio na cidade de Cádiz, ao sul do país, e assistir, no sábado, à partida entre Real Madrid e o Barcelona. Só então ele volta ao Brasil. "Venci com o povão" Após a repercussão, Fernando Henrique voltou a falar sobre o tema. Ele se mostrou espantado com a reação especialmente de partidários da oposição ao governo federal. O ex-presidente qualificou como "precipitadas" as manifestações a respeito, afirmando que membros do PSDB, DEM e PPS fizeram "o jogo do PT" ao falar sobre o tema. A O Estado de S.Paulo, Fernando Henrique voltou a defender que a oposição tenha um foco de ação definido, mas ele sustenta que é contrário a ignorar as camadas mais pobres da sociedade. "Eu venci duas eleições com o voto desse povão. E no primeiro turno, e contra o Lula. Agora, temos de ter uma estratégia para esses novos setores, mais sensíveis. Temos que fincar o pé na internet e nas redes sociais", afirmou. Lula também acredita que o PT e o governo têm meios mais eficazes de atingir a população mais pobre, "cooptadas por sindicatos e centrais sindicais".
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