O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso recomendou, em Porto Alegre, nesta segunda-feira, que confia "no Brasil, na sociedade brasileira, na nossa capacidade de negociação. Agora, é preciso ter juízo". Em uma reflexão sobre a política brasileira, o ex-presidente reconheceu haver "momentos preocupantes, tensões que são muito generalizadas". Disse que os movimentos sociais, dependendo da intensidade dos protestos, podem "criar dificuldades para o próprio governo".
FHC se pronunciou em uma rápida entrevista coletiva durante solenidade na qual recebeu, da Farsul (Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul), a medalha do mérito agropecuário. Na entrevista e no pronunciamento que fez durante a solenidade, FHC fez questão de salientar a necessidade de se resolver os impasses sociais "dentro da lei".
- Levamos muitos anos para acabar com um regime que era arbitrário. Agora, estamos em uma democracia. Em uma democracia, negocia-se, reivindica-se, sem dúvida. A democracia é um sistema que permite tudo isso, mas com respeito à lei. Havendo respeito à lei, o resto se resolve -, disse.
O aumento da tensão social no país - sem especificar se no campo ou na cidade -, foi definido pelo ex-presidente como "despropositado", pois "não há razão para isso, os instrumentos estão aí para que se possa avançar dentro da ordem". A respeito especificamente da tensão no campo, FHC afirmou que "os que têm vocação agrícola estão sendo progressivamente atendidos".
Sempre procurando acentuar sua preocupação em manter um discurso no plano teórico e genérico, FHC procurou valorizar avanços ocorridos em seu governo (1995-2002) e sinalizar para a tendência segundo a qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dá seguimento a avanços por ele atingidos. Um exemplo é o da reforma da Previdência, que FHC diz ter dado os primeiros passos.
FHC recomenda 'juízo' aos movimentos sociais
Segunda, 04 de Agosto de 2003 às 18:07, por: CdB