A troca de farpas entre os partidários do candidato Geraldo Alckmin e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso teve um novo capítulo nesta segunda-feira. Governador mineiro, o tucano Aécio Neves não poupou críticas à carta do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso aos eleitores do PSDB. Embora tenha dito aos jornalistas presentes à incursão do candidato tucano, Geraldo Alckmin, ao norte de Minas, que não queria atiçar ainda mais a discussão, Aécio saiu em defesa de Alckmin. Ele afirmou que o as palavras do ex-presidente, divulgadas no fim de semana, "mais desagregam do que agregam".
FHC admitiu, no documento, que houve falhas na gestão penitenciária em São Paulo, durante a gestão do ex-governador, que hoje busca o Palácio do Planalto, e acrescentou que a má gestão pública criou "um caldo de cultura para a criminalidade''. Ainda na opinião de FHC, o fortalecimento do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa que organizou séries de ataques no Estado, é hoje um ponto fraco na campanha do PSDB.
- Assim sendo, prefiro não comentar a carta. Eu hoje estou envolvido num projeto que é a eleição de Geraldo Alckmin para a Presidência da República. Esse é o projeto que interessa ao PSDB, que interessa ao Brasil. A melhor forma de eu contribuir com esse projeto é evitar comentar ações que mais desagregam do que agregam. Quando se faz uma campanha política, se faz olhando para frente, não para trás. O Geraldo, inclusive com muita firmeza, tem relembrado sempre muitos aspectos positivos do governo (de FHC). Eu não acho que ele (Fernando Henrique) tenha sido deixado de lado (na campanha), mas o candidato é Geraldo Alckmin. Estamos discutindo o governo a partir de 2007, e não a partir de governos passados - disse Aécio Neves.
Mais lenha
FHC, no entanto, não resumiu seus ataques às hostes tucanas. Em artigo publicado nesta segunda-feira, ele critica a proposta do governo Lula de realizar um entendimento nacional unindo partidos antagônicos como PT e PSDB. Para FHC, a idéia visa apenas preservar a maioria governista no Congresso. Em troca, prega um debate "sério" sobre a reforma política. O tucano afirma que a tese da convergência política entre os dois partidos pressupõe apenas a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
- O pressuposto do sonho, do qual não compartilho, é de que Lula será reeleito. E de que não poderá governar com os seus atuais aliados e companheiros de viagem - afirmou no texto divulgado pelo portal IG.
Para o ex-presidente, a necessidade de maioria no Congresso deve levar o presidente Lula, em um eventual segundo mandato, a buscar apoio a qualquer custo, em menção indireta ao esquema do mensalão.
- Se Lula vier a reeleger-se, o espelho do futuro será o retrovisor do passado e provavelmente veremos novamente um governo empenhado em manter uma 'federação de náufragos' submissa a seus desígnios ou pescando alguns deles para o seu partido ou para algum novo (ou antigo) aliado, pelos meios disponíveis - afirmou.
A busca por maioria chegaria à oposição. Para o ex-presidente, este momento passou, foi antes das eleições: "Se em plena crise, ainda em 2005, o presidente e seu partido tivessem tido a grandeza de propor uma agenda para o Brasil, teriam semeado para o futuro."
Ele demonstra mágoa ao afirmar ainda que o PT também deixou passar outro momento para a união, o primeiro ano de mandato, quando, "cuspindo no prato em que estavam comendo" classificaram seu governo como "herança maldita".
Quando ocupava a Presidência, Fernando Henrique teve no PT seu mais forte opositor no Congresso e fora dele. O partido chegou a criar o slogan "Fora FHC".
"Proponho, portanto, que se discuta a sério a reforma política, especialmente a inclusão do voto distrital, em vez de perdermos tempo com reconciliações para inglês ver", diz ele no artigo.
O ex-presidente também ataca o ministro das Relações Institucionai