A alta do IGP-DI, que em novembro registrou variação de 0,82%, não é preocupante em termos de transmissão ou repasse para a inflação, na avaliação do coordenador de Análises Econômicas do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, porque nas três apurações de IGPs feitas pela Fundação, este mês, os resultados foram praticamente iguais.
"Houve um deslocamento da taxa de inflação, mas de certa maneira ela se acomodou no patamar de 0,80%", explica Quadros.O coordenador destaca ainda o fato de o núcleo da inflação no Índice de Preços ao Consumidor, pelo quinto mês consecutivo, ter ficado em torno de 0,40%. Em novembro, o núcleo, calculado com a exclusão das vinte maiores altas e vinte maiores baixas, ficou em 0,41%.
"É uma evidência de que a inflação no consumidor está bastante estável, apesar de ter pressões oriundas do atacado e dos grandes choques deste ano, como o da siderurgia. Não houve transmissão plena desses itens para o varejo", esclarece Salomão Quadros.
Para o analista da FGV, esse desempenho pode ser explicado pelo comportamento favorável das matérias primas alimentares que têm uma repercussão muito grande sobre o grupo Alimentação e porque a economia não está aquecida ao ponto de provocar repasses para os preços: " Alguns desses pontos se aceleram e outros preços têm que recuar. Não há espaço para que todos os preços avancem ao mesmo tempo", conclui .
Salomão Quadros afirmou que, para 2005, a tendência é que os Índices prossigam com o mesmo comportamento que vêm tendo, embora possam ocorrer flutuações, como a atual, por efeito dos aumentos dos combustíveis e de alta nos preços dos bovinos, em período de entressafra. Mesmo assim, o economista lembra, que o reajuste dos combustíveis e a elevação nos preços dos bovinos têm impacto temporário.
Também com relação aos preços do aço, que durante todo o ano, pressionaram os Índices, o coordenador disse que não é possível afirmar que não haverá ainda novos repiques, mas acredita que o fato do item ferro, aço e derivados ter atingido em novembro a menor taxa de variação do ano (1,05%) pode ser um fator para compensar altas em outros produtos. " É um fato quase que inusitado praticamente nos últimos 12 meses", afirma.
FGV não crê que alta 0,82% do IGP-DI em novembro passe para a inflação
Terça, 07 de Dezembro de 2004 às 17:14, por: CdB