Por que razão manter juros tão altos se agora temos deflação? Isso mesmo. A primeira prévia do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) da Fundação Getúlio Vargas indicou um recuo de 0,09% nos preços. O indicador aponta para um "período de calmaria", acredita o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros. "O resultado já estava previsto em larga medida. Já havia expectativa de que depois de alguns meses de pressão, os preços viessem mais baixos", disse o economista.
Em todos os estágios do Índice de Preços ao Produtor Amplo ( IPA), o fenômeno se repete. Há deflação de 0,57% nas matérias-primas brutas, 0,52% em bens intermediários e 0,5% em bens finais.
Outro índice revela deflação – o Índice de Preços ao Consumidor, de 0,18%. O movimento tem origem nas quedas de 1,11% em transportes e 0,82% em alimentos.
Serviços na mira
Quadros preocupa-se com o setor de serviços que, segundo o IPC da FGV, está na casa de 7,5% no acumulado em 12 meses. Mesmo com esse cenário ainda incerto, o economista mantém a expectativa de que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) encerrará o ano em um intervalo de 6% a 6,5%, sem riscos de estourar o teto da meta do governo.
Mais uma vez pergunto aqui: se o aumento de juros tem como meta o controle da inflação, e esta já está sob controle, para onde vamos? Faz sentido uma Selic de 12,25% ao ano? E o que dizer de uma política monetária que, além de sustentar os juros reais mais altos do mundo (leia mais), pouco tem feito para evitar que os recursos vindos de fora na condição de Investimento Direto Estrangeiro sejam desviados para a renda fixa?