Estudo nacional da Serasa, divulgado nesta quinta-feira, aponta que o volume de cheques devolvidos por falta de fundos a cada mil compensados aumentou 27,2% em fevereiro de 2006, na comparação com fevereiro de 2005. No segundo mês deste ano foram devolvidos 20,1 cheques sem fundos a cada mil compensados, enquanto em fevereiro do ano passado houve 15,8 cheques devolvidos por mil compensados. De um total de 124,1 milhões de cheques compensados em fevereiro de 2006, em todo o Brasil, 2,5 milhões foram devolvidos duas vezes por falta de fundos, de acordo com o estudo mensal da Serasa, maior empresa do Brasil em pesquisas, informações e análises econômico-financeiras para apoiar decisões de crédito e negócios. Em fevereiro de 2005, haviam sido compensados 153,8 milhões de cheques, e devolvidos, 2,4 milhões, no país.
Na comparação mensal (fevereiro de 2006 em relação a janeiro de 2006), o aumento no volume de cheques sem fundos a cada mil compensados foi de 5,8%. Em janeiro deste ano, foram devolvidos 3,0 milhões de cheques, de um total de 157,4 milhões de compensados, o que representou 19,0 cheques devolvidos por falta de fundos a cada mil compensados. O número de fevereiro está ligeiramente abaixo do recorde de março de 2005 (20,8 cheques devolvidos a cada mil compensados) e de novembro de 2005 (20,6 cheques devolvidos a cada mil compensados) e iguala o número de dezembro de 2005.
No bimestre
O primeiro bimestre de 2006 também registrou alta no volume de cheques devolvidos a cada mil compensados, quando comparado aos dois primeiros meses de 2005. O aumento no período foi de 25,8%, sendo que em janeiro e fevereiro deste ano foram devolvidos 19,5 cheques sem fundos a cada mil compensados, e no primeiro bimestre de 2005, houve 15,5 devolvidos por mil compensados. De acordo com o levantamento, nos dois primeiros meses deste ano, em todo o país, 281,5 milhões de cheques foram compensados, sendo 5,5 milhões devolvidos por insuficiência de fundos. No primeiro bimestre de 2005, o total de cheques compensados havia sido 321,8 milhões, e o de devolvidos, 5,0 milhões.
Argumentação
Para os técnicos da Serasa, o crescimento do número de cheques devolvidos está relacionado ao maior comprometimento da renda dos consumidores com os compromissos tradicionais de início de ano, como pagamento do IPTU, IPVA, matrículas, compra de material escolar, além do maior endividamento da população devido à expansão do volume de crédito concedido, sobretudo no final de 2005, aliado às altas taxas de juros praticadas.
Os técnicos destacam, no entanto, que apesar da inadimplência com cheques registrada em fevereiro estar alta, a série histórica desse meio de pagamento ainda é baixa em relação ao mercado, pois 20,1 cheques devolvidos a cada mil compensados significa 2,01%. Outro fator importante que contribuiu para este comportamento de alta foi a aceitação de cheques pré-datados sem o uso de metodologia adequada para a análise de crédito e o gerenciamento do risco de inadimplência.
- Quando o pagamento é à vista qualquer meio de pagamento é bom, mas quando é a prazo o que conta é metodologia - afirma o presidente da Serasa, Elcio Anibal de Lucca.
O presid