Rio de Janeiro, 11 de Maio de 2026

Fetos não sentem dor até as últimas semanas de gravidez

Quarta, 31 de Agosto de 2005 às 11:01, por: CdB

Os fetos não têm a capacidade de sentir dor até as últimas semanas da gravidez, afirma uma pesquisa com base nas evidências médicas existentes.

O documento, publicado no <i>Journal of the American Medical Association</i> (JAMA), foi elaborado em razão de uma nova proposta de lei no Congresso dos Estados Unidos.

Se aprovada essa legislação, os médicos seriam obrigados a dizer às mulheres que planejam um aborto que os fetos sentem dor a partir da vigésima semana de gestação.

A equipe de médicos da Universidade da Califórnia, porém, argumenta que os fetos só possuem a capacidade de sentir dor a partir da 29ª ou 30ª semana. Uma gravidez normal dura cerca de 40 semanas.

Os pesquisadores dizem que há informações limitadas sobre o tema. Mas, no artigo no JAMA, afirmam que, para haver dor, é preciso que haja o reconhecimento consciente de um estímulo desagradável.

Isso não pode acontecer até que algumas estruturas cerebrais que conectam o tálamo ao córtex cerebral se desenvolvam, durante o segundo trimestre da gravidez.

Essas conexões geralmente não aparecem até a 23ª semana de gravidez e podem não começar a funcionar até a 30ª semana.

<b>Vespeiro</b>

O estudo, que poderia ter repercussões políticas importantes, já está gerando polêmica nos Estados Unidos.

O artigo está sendo denunciado por críticos tanto na comunidade científica como em organizações militantes pró-vida, que vêem a pesquisa como um atestado para a realização de abortos.

- Eles literalmente enfiaram as mãos num vespeiro - disse Kanwaljeet Anand, pesquisador sobre dor em fetos da Universidade de Arkansas, que acredita que fetos podem sentir dor a partir da vigésima semana.

A equipe de cientistas, liderada por Mark Rosen, disse que reações reflexas e hormonais observadas nos estágios iniciais de desenvolvimento do bebê não são provas suficientes de percepção de dor.

- Como a percepção da dor não funciona antes do terceiro trimestre, as discussões sobre dor fetal para abortos realizados antes do final do segundo trimestre não devem ser compulsórias - afirma o artigo.

- A aplicação de anestésicos ou analgésicos nos fetos não deve ser recomendada para os abortos porque os benefícios das atuais técnicas experimentais para os fetos são desconhecidos e isso pode aumentar os riscos para a mulher.

Os autores do documento pediram que sejam feitos novos estudos sobre o tema.

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