Na Provence, região sul da França, os festivais de música, teatro, cinema e dança são múltiplos e variados durante o verão (julho e agosto) e cada cidade tem a sua especificidade artística. O Festival Internacional de dança de Vaison la Romaine, assim como o de Orange, é ao ar livre, emoldurado pelo maravilhoso teatro antigo e que consegue atrair, a cada noite, especialistas do gênero do mundo inteiro assim como apreciadores e turistas de passagem pela região chegando a receber até 3.000 pessoas.
O grande sucesso do evento está na iniciativa dos organizadores e, em particular, do presidente, Gerard Reynoud e do Diretor artístico, Philippe Noel de dar uma “conotação popular” à dança, como as Choregias de Orange, e contrariamente a outros festivais, como o de Aix en Provence, o qual destina-se a um público mais elitista. Por esssa razão, a cada edição do festival de Vaison, que dura quinze dias, é possível assistir a diversos espetáculos clássicos e populares, mas também de avant-garde.
Dentro da programação desse ano, apresentaram-se quatro balés clássicos e quatro modernos. O primeiro evento clássico foi Giselle do Ballet Nacional de Cuba, da grande coreógrafa Alicia Alonso, uma das bailarinas mais brillantes da cena clássica e romântica, criadora igualmente da companhia de dança em 1948, em Havana. Essa sua versão de Giselle faz parte do repertório das melhores companhias do mundo: teatro Colon de Buenos Aires, teatro Grego de Los Angeles, Opera de Paris, ópera de Vienne, etc.
Difusora da arte do flamenco pelos quatro cantos do mundo, a companhia Antonio Gades apresentou os outros balés clássicos. Antonio Gades transformou profundamente a dança espanhola, reinventando-a para poder conciliar a herança ibérica com a estética da dança universal, a fúria trágica do flamenco com a riqueza expressiva do ballet clássico. Após a morte de Antonio Gades, em 2004, sua companhia continua a perpetuar suas obras pelos palcos do mundo.
Três dessas obras maravilhosas foram exibidas em Vaison: A suíte flamenca, Bodas de sangue e a famosíssima Carmen, inspirada muito mais do livro de Prosper Merimee que da ópera de Bizet.
O público ficou extasiado, durante uma hora e vinte minutos, com a sublime interpretação de Carmen, pela bailarina Stella Aruzo, também diretora artística do ballet contracenando com Adrian Galia, no papel de “Don José”.
Os três modernos balés, de estilos totalmente diferentes, marcaram assim a temporada: o primeiro deles, Corazon loco da coreógrafa espanhola Blanca Li, construído sob o tema do amor, mostrou a sintonia entre a dança do corpo, do coração e dos coros. Música e dança reunidos numa alquimia perfeita. Os bailarinos cantam e os músicos dançan com humor e encanto. Blanca Li nascida em Granada formou-se em Nova Iorque com Martha Graham. Além de coreógrafa é também diretora e bailarina.
O balé de Angelin Preljocaj é mais linear, e muito emocionante. Sua dança é ao mesmo tempo violenta, apaixonada, provocante, patética e sensual. Ele é especialista do duo: dois homens ou duas mulheres. No primeiro ato, denominado Anunciação, duas mulheres incarnam a iconografia católica do anjo que anuncia à Maria que ela vai ter um filho, chamado Jesus. No segundo ato, Centauros, dois homens nus e com cabeças raspadas lutam como dois cavalos que se afrontam com o objetivo de um dominar o outro. Enfim, no terceiro ato Eldorado, Angelin Preljocaj criou a partir duma composição do músico Karlheinz Stockhausen uma coreografia para doze bailarinos com sonoridades delirantes.
Para finalizar, numa bela noite enluarada, o balé moderno da Merce Cunninhgham Dance Company, foi o mais surpreendente de todos com sons lembrando o rangido de portas. Há cinqüenta anos, Merce Cunninhgham, que hoje tem 85 anos, inovou o conceito coreográfico e provocou no mun
Festival de Vaison la Romaine: aliança perfeita do clássico e do contemporâneo
Quinta, 09 de Agosto de 2007 às 12:17, por: CdB