Rio de Janeiro, 01 de Outubro de 2026

Festival de Tribeca mostra filme sobre tradutor afegão decapitado

Segunda, 27 de Abril de 2009 às 09:57, por: CdB

Festival de Tribeca mostra filme sobre tradutor afegão decapitado
Quando o caixão do jornalista afegão Ajmal Naqshbandi foi carregado pelas ruas de Cabul em 2007, moradores da cidade gritaram que o mundo não se importava com ele.

O documentário Fixer: The Taking of Ajmal Naqshbandi, exibido no festival de cinema Tribeca esta semana, examina a vida de Naqshbandi, considerado um dos melhores fixers do Afeganistão.

Fixer significa alguém que resolve problemas, e, no Afeganistão, indica as pessoas locais que trabalham para jornalistas estrangeiros como tradutores e organizam entrevistas para eles. O filme questiona o valor que o mundo atribui à vida de um afegão, comparada à de um ocidental.

– Para muitos afegãos, o caso de Ajmal comprovou o que já suspeitavam -- que a comunidade internacional não se importa com o Afeganistão e que a vida de um afegão vale menos que a de um estrangeiro –, disse o diretor do filme, Ian Olds.
 
Olds, norte-americano de 34 anos, decidiu fazer o filme depois de testemunhar a importância dos fixers no Iraque, onde rodou seu filme anterior, "Ocupação: Terra dos Sonhos", que mergulhou na realidade de um pelotão de soldados norte-americanos.

O diretor estava filmando Naqshbandi como parte de um documentário sobre fixers. Depois da morte do afegão, Olds contou que quase desistiu do filme, mas então decidiu fazer de Naqshbandi sua figura central.

– Me parece trágico e doloroso usar a morte de um amigo como artifício dramático", contou o diretor. "Mas, quanto mais eu pensava em Ajmal, mais isso me parecia obrigatório.–

Grupos de defesa dos direitos humanos dizem que, no Iraque e Afeganistão, os fixers correm mais risco de ser mortos do que os jornalistas estrangeiros, porque são vistos por seus captores como traidores e porque suas vidas têm pouco peso de barganha.

Ajmal Naqshbandi foi sequestrado no início de 2007 com o jornalista italiano Daniele Mastrogiacomo e o motorista afegão Sayed Agha numa estrada isolada na província de Helmand, vista pela maioria dos estrangeiros como lugar perigoso demais para se ir.

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