Rio de Janeiro, 13 de Maio de 2026

Festival de Gramado promove documentários este ano

Segunda, 15 de Agosto de 2005 às 12:55, por: CdB

O Festival de Cinema de Gramado, um dos mais antigos do Brasil, começa sua 33ª edição nesta noite de segunda-feira, lutando para ter um diferencial diante da concorrência de dezenas de outros eventos do gênero criados nos últimos anos pelo país afora.

O festival abre com a exibição do documentário <i>Soy Cuba - O Mamute Siberiano</i>, de Vicente Ferraz, e da ficção <i>Carreiras</i>, de Domingos de Oliveira.

Festivais como o do Rio de Janeiro, Recife, Fortaleza, Goiânia, Belém, Manaus e outros vieram para ficar, alguns com um potencial de atração internacional que Gramado não tem.

Em compensação, Gramado internacionalizou-se bem antes, nos anos 1990, quando abriu sua competição a produções latinas - o que até hoje é uma marca exclusiva.

Gramado conseguiu assim sobreviver à crise e ajudar a romper um certo isolamento do Brasil em relação ao resto de um continente que quase todo fala espanhol, bem como em relação a Portugal, que todo ano tem um representante nesta seleção.

Mas, se a seção latina se manteve até hoje, este ano ela dá sinais de que perde prestígio em relação aos documentários nacionais, que nos últimos anos vêm demonstrando sua criatividade com poucos recursos e sintonia direta com as grandes questões e personagens do Brasil.

Assim, os quatro documentários da competição serão exibidos na sessão nobre do evento, antes dos longas de ficção, tradicionalmente a prata da casa do festival. A seção latina foi destronada para o horário da tarde, onde até o ano passado estavam os documentários, às 14h30 e 16h30.

EM COMPETIÇÃO

Os documentários concorrentes são <i>Do luto à luta</i>, mergulho no universo da síndrome de Down do cineasta fluminense radicado em São Paulo Evaldo Mocarzel; <i>Soy Cuba - O mamute siberiano</i>, do carioca Vicente Ferraz, sobre o lendário filme feito em Cuba nos anos 1960 pelo cineasta russo Mikhail Kalatosov; <i>Doutores da alegria</i>, da paulista Mara Mourão, relatando o trabalho desses palhaços voluntários em hospitais; e <i>Em trânsito</i>, de Henri Arraes Gervaiseau, sobre um dos problemas mais desafiadores da metrópole paulistana.

São seis longas de ficção, alguns comportando grandes expectativas, como é o caso de <i>Gaijin - Ama-me como sou</i>, de Tizuka Yamasaki. O filme foi rodado entre Brasil e Japão, com um elenco internacional encabeçado pela nipo-americana Tamlyn Tomita (<i>O dia depois de amanhã</i>).

Outro veterano é Domingos de Oliveira, já premiado em Gramado anteriormente com "Amores" e "Separações". Ele apresenta outra comédia dramática urbana, "Carreiras".

Um estreante na direção é o ator Paulo Betti, que assina com Clóvis Garcia o esperado <i>Cafundó</i>, sobre um lendário líder negro saído das senzalas do século XIX.

Se no ano passado faltaram os tradicionais épicos gaúchos, este ano há pelo menos um filme concorrente que cabe no figurino: trata-se de <i>Diário de um novo mundo</i>, de Paulo Nascimento, um dos quatro gaúchos entre os concorrentes de ficção.

Fora ele, também são do Rio Grande do Sul a própria Tizuka Yamasaki, Carlos Gerbase, que comparece com <i>Sal de prata</i>, e também Beto Souza, o co-diretor de <i>Netto perde sua alma</i>, trazendo agora <i>Cerro do jarau</i>, uma história moderna, estrelada por Tarcísio Meira Filho, mas encharcada em lendas gaúchas.

Tanto <i>Cerro do jarau</i> como o documentário <i>Do luto à luta</i> já foram exibidos e premiados no Festival de Recife, em abril. O documentário de Mocarzel também foi premiado no Festival de Belém, em julho.

<b>LATINOS E HOMENAGEADOS</b>

A seção latina traz sete longas: dois argentinos, <i>Buenos Aires 100 km</i>, de Pablo Jose Meza, e <i>Por un mundo menos peor</i>, de Ale

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