Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Festival de Cinema de Berlim ganha força após início morno

Quarta, 16 de Fevereiro de 2005 às 16:29, por: CdB

Após um início letárgico do Festival de Cinema de Berlim, um filme sobre candidatos a homens-bomba palestinos e outro sobre uma garota executada pelos nazistas conseguiram injetar ânimo no evento.

Os dois projetos, que já se posicionam como possíveis candidatos principais ao cobiçado prêmio máximo do festival, o Urso de Ouro, vêm se destacando entre uma série de trabalhos decepcionantes exibidos durante a primeira metade da Berlinale, que dura 11 dias.

"Há 21 filmes na competição oficial, mas poucas vezes se viram tantos trabalhos fracos quanto este ano", comentou a crítica Christine Deggau, da televisão RBB. "Mas isso foi só até a manhã da segunda-feira."

Ela se referia à exibição de "Paradise Now", longa de um diretor palestino sobre dois homens-bomba que atraiu amplos elogios pelo olhar instigante que lança sobre as motivações de pessoas que planejam atentados suicidas.

Com sua ousadia e seu aspecto político, "Paradise Now" foi exatamente o tipo de produção que o público de Berlim adora, tanto que ajudou muitas pessoas a esquecer o decepcionante "Man to Man", sobre antropólogos do século 19, que inaugurou o festival, além de uma série de outras produções decepcionantes que o seguiram.

"Apesar da diversidade de temas cobertos, o clima vem sendo de mesmice e tédio", escreveu Verena Lueken, crítica do jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung.

Muitos já estão vendo "Paradise Now" como favorito para ganhar o Urso de Ouro, que será entregue no sábado. Mas ainda há outros filmes vistos como bons candidatos a esse troféu ou aos Ursos de Prata entregues em outras categorias, entre elas melhor diretor, ator e atriz.

Dos filmes exibidos até agora, ganharam elogios "Sophie Scholl -- The Final Days", sobre uma estudante alemã executada por distribuir folhetos contra o nazismo, e "Les Temps Qui Changent", estrelado por Catherine Deneuve.

Alguns críticos saudaram "One Day in Europe", uma comédia alemã-espanhola que zomba das barreiras linguísticas, e a produção francesa "Le Promeneur du Champ de Mars", uma biografia de François Mitterrand.

O festival começou com uma surpresa, quando seus organizadores tiraram da programação principal o filme "Heights", com Glenn Close, que seria exibido fora da competição. De acordo com jornais alemães, a exclusão se deveria ao fato de a atriz ter decidido não viajar a Berlim.

O filme foi substituído por "Fateless", sobre a comunidade judaica de Budapeste sob o domínio nazista. Esse filme também foi incluído na competição oficial, elevando para 22 o número de trabalhos que disputam os Ursos.

A decisão deixou claro que o diretor do festival, Dieter Kosslick, é sério em sua intenção de incluir filmes apenas se puderem levar astros ou estrelas a seu tapete vermelho -- um anseio por glamour que, temem alguns críticos, seja a razão que explica a inclusão de alguns filmes medíocres.

Mas os negócios em alta no Mercado Europeu de Filmes, que corre paralelamente ao Festival de Berlim, também vêm ajudando muitas pessoas a esquecer os trabalhos pouco inspirados exibidos no início do festival.

A importância do mercado cresceu este ano. Trata-se do maior ponto de encontro de compradores e vendedores entre o Mercado Americano de Filmes, transferido do final de fevereiro para novembro, e o Festival de Cannes.

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