Rio de Janeiro, 16 de Setembro de 2026

Festival de Cannes consegue fechar acordo com manifestantes

Quarta, 12 de Maio de 2004 às 10:45, por: CdB

A organização do maior festival de cinema do mundo chegou a um acordo de última hora, na terça-feira, com os atores e técnicos franceses que trabalham em regime de tempo parcial e que ameaçavam perturbar o Festival de Cinema de Cannes.

Na véspera da abertura do festival, seus organizadores anunciaram que deram aos manifestantes uma plataforma na qual declarar suas reivindicações em relação ao corte dos benefícios de desemprego.

Os trabalhadores receberão as boas-vindas oficiais na noite de gala de abertura, na quarta-feira, no Palais des Festivals. Eles vão promover suas coletivas de imprensa próprias e terão encontros com atores e diretores para discutir seu futuro.

A vitrine do cinema internacional vinha sendo ameaçada de caos pelos trabalhadores que, no verão passado, conseguiram forçar o cancelamento de vários importantes festivais de arte franceses.

O acordo de última hora representou um alívio imenso para Cannes, que durante 12 dias vai abrigar grandes nomes do mundo do cinema como Brad Pitt, Charlize Theron e Cameron Diaz, sem falar na imprensa mundial.

A França, que já se encontra em estado de alerta intensificado após as explosões em trens de Madri, dois meses atrás, enviou 1.000 policiais a Cannes para garantir que o festival transcorra em clima de tranquilidade.

Temerosos de que os manifestantes pudessem prejudicar o festival, os proprietários de bares e restaurantes da cidade organizaram seu próprio protesto na terça-feira na Croisette, a glamourosa avenida à beira-mar que percorre a cidade.

O festival sempre é envolto em polêmica, e a edição deste ano não será exceção, tanto assim que terá a estréia mundial do filme "Fahrenheit 9/11", do cineasta norte-americano Michael Moore, uma tirada contra o presidente Bush.

A Walt Disney Company proibiu sua subsidiária Miramax de distribuir o filme anti-Bush de Moore nos Estados Unidos, dizendo que não quer exibir um filme politicamente polarizador em um ano eleitoral nos EUA.

"The Life and Death of Peter Sellers", uma biografia do comediante britânico estrelada por Geoffrey Rush e Charlize Theron, vem sendo repudiada pela família do falecido ator.

A terceira mulher de Sellers, Britt Ekland, qualificou como "bobagem" a escolha de Charlize Theron para atuar no filme, e o filho de Peter Sellers também fez objeções.

O diretor de filmes cult Quentin Tarantino vai chefiar o júri este ano, quando um terço dos filmes exibidos no festival virão da Ásia.

O festival 2004 também vai oferecer uma dose grande de filmes comerciais de Hollywood, como a sequência animada "Shrek 2".

Berlim, Veneza e Sundance são festivais pequenos mas perfeitamente moldados, nos quais a arte é tudo. Contrastando com eles, Cannes é um evento cheio de glamour e brilho.

Magnatas do cinema fecham negócios milionários durante o festival, e Hollywood envia a ele seus maiores nomes.

Para o ator Brad Pitt, Cannes 2004 será uma chance para promover o épico de 200 milhões de dólares "Tróia".

Para Tom Hanks, será sua primeira viagem a Cannes, onde vai divulgar a refilmagem criada pelos irmãos Coen da clássica comédia britânica "Matadores de Velhinha".

"Quando se trabalha no cinema há tanto tempo quanto eu, não sobra muita coisa que se possa fazer pela primeira vez", disse Hanks. "Mas estou certo de que minha primeira vez em Cannes será extraordinária."

Cannes opõe críticos de cinema intelectualizados a jornalistas do showbusiness, uns zombando dos outros. Mas, como escreveu o The Times de Londres: "Cannes continua a ser exatamente o que a história o fez: um microcosmo tolo, esplêndido e valioso de toda a indústria do cinema."

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